
Qual é a sua resposta?
Cordialmente, a gente responde a profissão ou o trabalho que exerce. O médico fala que é médico, o estudante estuda, o político diz que trabalha para a população, e o desempregado responde que é autônomo (rs).
Sei que não é um tema novo, e pra ser sincero, já foi bem discutido, mas é algo que me fez pensar bastante. Mesmo assim, não tenho uma conclusão para tal barbárie contra as nossas vidas. De tempos em tempos essa pergunta volta a rondar meus pensamentos, e a culpada dessa vez foi uma amiga em seu ótimo texto Você é o que trabalha?.
Sou publicitário, e mesmo adorando trabalhar com isso, é medíocre e pequeno afirmar que faço isso da vida. OK, temos o lado que passamos mais tempo trabalhando do que com a família e amigos, mas o trabalho não é a essência minha vida, e acredito que de mais ninguém.
Lembro de ter lido um texto que o escritor sugeriu do pessoal responder de outras formas, como “sou feliz”, “tudo”, “sou rockstar”, entre outras.
Podemos ainda levar em conta a geração Yeppie (Young Experimental Perfection Seekers, ou jovens em busca da experiência perfeita). Imagine que essa geração é filha dos yuppies dos anos 80 e foi criada (ou abandonada) debaixo de sua filosofia de trabalhar pesado para se tornar milionário. Esse quadro social tornou as pessoas escravas do trabalho e do dinheiro, e, também como muitas empresas, gananciosas além do limite ético. Na década de 70, para se ter uma idéia, quase não existia algo como um workaholic. Hoje em dia, muitos dos pais de integrantes da geração atual, mesmo tendo uma poupança muito maior do que conseguirão gastar ao longo da vida, continuam colocando o trabalho em primeiro lugar.
Por ter sido abandonada e ter como rivais o emprego dos pais e os bens de capital, essa geração não consegue ver o valor no acúmulo do dinheiro e, acima de tudo, no trabalho obstinado e cego em sua busca, e começa a perceber que a vida dos profissionais “bem-sucedidos”, apesar de bastante confortável, é vazia de significado.
Já falei disso aqui no blog anteriormente. Mas agora isso tem nome e e está mais explicado :). Os trechos foram retirados de uma entrevista do Luli. Leia aqui – acho que vale a leitura.
Como disse, não consigo concluir esse assunto, mas tenho a certeza que a gente não responde certo. Afinal, o que é a vida? :O
(Ler isso na sexta-feira é sacanagem, hein?)