Daruma’n’

Todos os anos, as pessoas costumam fazer simpatias para melhorar de vida. Geralmente são ações que não custam nada para fazer com a chance do benefício ser muito grande – Estimadíssima Fada dos Dentes, desta vez gostaria de ganhar uma BMW, um jatinho particular e um iate.
Nunca fui adepto dessas simpatias, principalmente aquelas idiotas sem sentido como escrever quanto $$$ você gostaria de receber, misturar com massa de banana, queimar e guardar as cinzas debaixo do travesseiro – Juro que li isso em algum lugar rs.
Apesar disso, outro dia estava com o Daruma (foto acima) no meu quarto. Na verdade foi um processo natural, já que além de simpatizar com a cultura oriental, estou na fase de ‘entrando no mercado de trabalho’ faz um tempo, e posso dizer que não é tão bonito como era de fora. Acabei recorrendo ao bixonho vermelho pra me dar forças e não desistir dos meus sonhos.
Basicamente, o Daruma é um boneco oco que você escreve um desejo em um papel, dobra e joga lá dentro. Depois disso, pinta-se um dos olhos mentalizando o desejo. Caso se realize, o outro olho deverá ser pintado em sinal de agradecimento. Mas a história por detrás do boneco é o que realmente vale a pena, e me fez ter um :-).
Na antiga China, havia um bonzo chamado Daruma (bonzo = sacerdote do budismo), que queria compreender o significado da vida. Tentou de muitas maneiras chegar à resposta mas todas falharam, por fim, resolveu sentar-se em frente ao seu templo e meditar procurando a resposta. Durante anos permaneceu focado na questão, então depois de 9 anos, obteve a resposta, a verdadeira essência da vida.
Daruma foi o fundador da religião Zen Budismo que circulou entre China e Japão no século XII, com adeptos até no Brasil hoje em dia. O boneco surgiu depois de sua morte, e foi sendo remodelado até a forma atual, e é tradicionalmente vendido nos finais de ano, perto dos templos e santuários nos países orientais para as pessoas fazerem seus pedidos no ano que se inicia.
Dessa história, vem aquela frase que qualquer mortal já ouviu falar quando alguém é muito paciente – tem a paciência de um monge budista, assim como o termo Zen, que é erroneamente usado para designar qualquer pessoa, atividade ou objeto que traz a mais alta calmaria do universo rs. Na verdade, a lição do Daruma e de qualquer ramificação do Budismo, mais que a paciência, é a persistência.
Aliás, esse conceito está personificado no boneco: o fundo é mais pesado, e junto com a forma oval, torna impossível deixar o Daruma virado. Ele sempre volta para a posição original, que representa o antigo bonzo sentado e meditando. É como um joão bobo rs. Infelizmente o meu Daruma que comprei na liquidacão de alguma lojinha japonesa, não faz esse feito :-(. Malditos comerciantes com suas mercadorias baratas. Outra característica importante é que o vermelho espanta o olho gordo e traz sorte, tornando o boneco comum nos comércios.
Chamo-o de Daruman (com N no final) em homenagem aos seriados japoneses que via na TV quando moleque. Ainda não realizei meu desejo, mas estou persistindo para tal. Inclusive deixo ele posicionado no meu quarto de forma que o boneco seja a primeira coisa que vejo quando acordo, para lembrar do que pedi e lutar por isso.
Uma lição legal que aprendi pesquisando sobre Zen Budismo para escrever o post – Conhecer a si mesmo, pois assim conhecerás o Universo.



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