O que você vai ser quando envelhecer? Parte 1

Tenho um amigo, o Carlitos, que estudou comigo na universidade. Era parceiro de trabalho, de bar, e de ir de chinelo de dedo para tudo que é lado. Em um das inúmeras idas ao bar depois das aula, refletiu como ele seria quando fosse velho, aposentado, e com menos responsabilidade. -Seria um velho sujo- respondeu.
Esses dias estava tentando imaginar como seria minha vida quando tivesse lá pelos 60 anos, e não pude deixar de lembrar dessa frase do Carlitos. Tentava imaginar se teria netos cedo ou tarde, se conseguiria viver o lado velho da vida feliz com as conquistas, ou se ia ser um eterno rabugento. Pra facilitar minha vida, listei alguns perfis:
Opção 1 - O velho sujo
É aquele velho que está no bar de manhã antes do dono chegar. Usa chinelo de dedo ou sandália, algum shorts de time ou qualquer um tão velho quanto ele, e geralmente o tamanho menor do que o adequado. Caso seja bastante peludo, principalmente nas costas, faz questão de não usar camiseta, mas quando usa, é de time ou alguma pequena que mostre a sua pança e o cofrinho. Seu hobby preferido é desafiar o time dos taxistas no dominó ou truco. É o representante oficial do time do bairro, e é famoso por gritar "Truco, marreco" quando ganha.
Para o velho sujo, os domingos de clássicos do futebol são sagrados, e deixa de ir até em casamento para não perder um fla x flu. Sua relação com o futebol é espiritual. Acredita que o céu é um grande campo verde que só rola clássicos, e seu deus é o Mané Garrincha.
Opção 2 - Flashback, the old fashion
Passa o dia em casa ouvindo discos da sua época de ouro e não suporta a música atual. Faz a barba com navalha religiosamente todos os dias às 7:15 da manhã em ponto, e passa gel no cabelo para ir comprar pão na padaria. Tem alguma coleção de relógios cuco ou de moeda, e faz questão de contar a todos a história de cada peça.
Rabugento por natureza, tem a certeza que o mundo só piorou desde a sua época, e fala pelo menos 10x ao dia algo como "no meu tempo" ou "velhos tempos aqueles". Não entende a programação atual da televisão e reza toda noite pela ressureição do Chacrinha ou do Roque Santeiro. Além disso, é averso ao celular e mantém um telefone de discar na sua casa.
Opção 3 - O esportista póstumo
Depois de uma vida repleta de cerveja, cigarro, bailes e insônia, resolve tirar todo o atraso da vida quando se aposenta. Sua rotina é mais agitada que de um triatleta e inclui uma corrida no parque às 5 da matina, sessões de power ioga na academia e uma dieta rica em fibras.
Sonha em participar de corridas como a de São Silvestre ou Ironman, embora seu médico reprove qualquer exercício acima de 80 bpm. Não acredita em problemas do coração e vive afirmando que impossível é nada. Usa sempre micro shorts de maratonista, inclusive em reuniões formais como jantar de gala e formatura do filho.
Próximo post vou completar a lista !
Teste das cores – Max Lüscher

Por trabalhar com direção de arte, acabo estudando alguns elementos bases da arte, como a cor. Em um dos inúmeros livros sobre o assunto, conheci o trabalho do suiço Max Lüscher, psicólogo, psiquiatra e filósofo - sim, são 3 em 1 aqui rs.
Ele defendeu uma tese há algumas décadas atrás, sobre a possibilidade da cor diagnosticar o estado psicológico de uma pessoa. Toda essa história virou um teste, que é usado até hoje em clínicas de psicologia, como ferramenta dos recursos humanos em empresas, órgãos do governo, e inclusive vendido em forma de livro.
Como ninguém aqui vai sair e comprar o livro pra realizar o teste, separei um link com uma versão traduzida para português. Embora não seja o recomendado, por motivos como diferença de cor de monitor pra monitor, e fundo branco - muda a percepção das cores, o teste pela internet chega perto. Já fiz 2x e fiquei impressionado com o resultado.
Acredito que a cor tenha sim, muita relação com o nosso comportamento, mas fico em cima do muro quanto às aplicações dela. Por exemplo, reza a lenda que as cores do McDonald's são vermelho e amarelo para as pessoas comerem rápido e sair da lanchonete; quando dizem que uma pessoa está vermelha de raiva, verde de nojo, roxa de frio; cromoterapia - a cura pela exposição às cores, etc.
A imagem foi tirada durante minha viagem ao ES, com o intuito de pesquisar novas paletas de cor para os meus trabalhos.
Façam o teste -com calma- e comentem
Ação de comunicação bem-humorada

No dia em que fui visitar a exposição do Duchamp no MAM (post anterior), fui abordado por esse boneco gigante no caminho. Era uma ação de comunicação para um candidato a vereador de São Paulo. Particularmente não gosto das campanhas políticas, pois acho que são abusivas, mas esta em especial chamou minha atenção pelo bom humor.
Quem passava na ponte sobre a avenida, era logo seguido pelo boneco que sacaneava a todos. Depois da brincadeira, uma outra pessoa entregava um folheto do candidato. O rosto do boneco é a melhor parte e me garantiu boas risadas
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Duchamp no MAM

No último sábado fui conferir a exposição Marcel Duchamp: a obra que não é uma obra no MAM. Sempre gostei do trabalho dele, principalmente depois que coloquei na cabeça que era uma crítica a alguns artistas e suas obras imortais pouco acessíveis. Nada melhor do que ver pessoalmente o urinol (imagem acima) como uma super obra de arte rs.
Duchamp ficou famoso com a invenção do ready made, objetos do nosso cotidiano elevados a status de arte, como urinol, roda de bicicleta, porta-garrafas, entre outros. Diferentemente de outros artistas, para apreciar a obra do Duchamp não se cruza os dedos sob o queixo, faz uma cara de intelectual e admira a qualidade estética. Sua importância está exatamente na atitude anti-artística do conjunto dos seus trabalhos.
Antes que alguém aqui entenda que ele foi uma espécie de punk da arte, devo dizer que o cara é considerado um dos mais importantes artistas do século XX, e que redefiniu radicalmente o conceito de fazer arte. Na época, o pensamento era de produção, eficácia e transpiração como valores de trabalho. Duchamp separou inspiração de transpiração, sugerindo arte como exercício mental. Conceito também aplicado fora do campo artístico e com vestígios até hoje no design e propaganda.
Uma das suas principais obras é A Fonte (img 1), um urinol comprado em qualquer loja de construção e enviado para um concurso de arte somente com a assinatura -R.Mutt 1917. Evidentemente o objeto foi recusado pelo juri, que alegou que não tinha nenhum labor artístico.

Acima uma foto que tirei na exposição da roda de bicicleta acoplada a um banquinho, seu primeiro ready made e que ilustra a idéia de elevar objetos corriqueiros a status de obra de arte. Como imaginar uma cena dessas em um museu?
Abaixo a obra LHOOQ, que soletrada em francês, ficaria algo como -Elle a chaud au cul, e significa Ela Tem Fogo No Rabo em português, e não é nada mais do que um cartão postal que foi adicionado um bigode e barba com caneta

Quem quiser conferir a exposição tem até o dia 21/09 no MAM no Parque do Ibirapuera. Maiores informações no próprio site do museu.
Um pouco de arte: grafite

Graffiti é um tipo de inscrição feita em paredes, com os primeiros relatos ainda no Império Romano. De origem italiana, a palavra virou grafite no Brasil, e foi no final dos anos 70 que começou a incorporar-se na cultura urbana do país, junto com o fortalecimento de movimentos sociais como o Hip-Hop.
Na realidade, resolvi escrever sobre o grafite pois coincidentemente com o meu interesse pelo assunto, cada vez mais valoriza-se este tipo de arte - e vejo com bons olhos. Só para ter uma idéia, a prefeitura de São Paulo pediu recentemente aos grafiteiros que listassem obras que merecem ser preservadas, e além disso, vai restaurar alguns grafites que por ventura estão gastos ou foram apagados.
O primeiro grafite que me surpreendeu foi em uma caixa de telefone na Rua Augusta, que foi totalmente envelopada pelo desenho de um personagem. Aliás, essa é uma das características que acho mais bacana do grafite - tornar qualquer forma urbana em espaço para a arte, que vai muito além de paredes. Essas formas interagem com o desenho, como a obra dos osgemeos que emoldura este post: são 5 personagens sendo enquadrados pela polícia embaixo do viaduto.
Mas o mais importante, e que determina o grafite como arte, é que possui uma mensagem. As obras comunicam algum fato, alguma revolta, alguma opinião. O trabalho dos osgemeos, por exemplo, na minha opinião possui um perfil mais narrativo, e busca retratar a cidade e seus personagens. Já os desenhos do italiano blu são críticas à sociedade em geral, como o desenho abaixo à esquerda, que remonta a idéia do pinóquio mentiroso com nariz grande em um prédio do governo.

Outro aspecto do grafite é que está presente na paisagem urbana. Você não precisa visitar exposições ou museus para ver as obras. Mais que isso, os desenhos retratam momentos da sociedade. Não é algo pago, comercial. É arte legítima que faz as pessoas pararem e reflitirem sobre o tema proposto. Bom, não levando em conta aqueles grafites contratados nos portões das escolas, por exemplo rs
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A imagem acima é obra do onesto, um dos 72 pseudônimos do artista multimídia Alex Hornest, que apesar do nome gringo é brazuca. O trabalho do cara é tão bom que lançaram agora um livro dedicado aos seus grafites. Para quem ficou curioso da razão de tantos pseudônimos, segundo o artista, é para não ficar preso em um mesmo estilo.
Pelo que entendi na minha breve pesquisa, os brasileiros são considerados referência no grafite, inclusive com trabalhos no exterior, como é o caso do gigante com o pipi de fora (fig. 3), assinado pelos osgemeos na fachada do Tate Modern em Londres, o maior museu de arte contemporânea do mundo e um dos mais importantes da europa.


Este post é apenas um pouco da minha visão sobre o grafite. Como qualquer arte, a interpretação é subjetiva, então recomendo quem puder conferir, que acesse os sites dos artistas que vale a pena: osgemeos, blu, onesto.


