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Archive for December, 2008

Review de Natal + Retrospectiva 2008

papai noel barba murilo campos

O 25 de dezembro celebra nada menos que a data em que Jesus nasceu. Isso foi há 2008 anos atrás rs – alguém já parou para pensar nisso?
Enquanto alguns escrevem cartas para o Papai Noel, o re’cordis inova mais uma vez e traz o primeiro review do Natal da história !

Prós:
. É feriado em todo o país
. As crianças ganham presentes
. Uma boa data pra surfar tranquilamente na praia mais lotada enquanto todas as pessoas normais do mundo estão reunidas com a família
. Natal lembra final de ano, que lembra feriado e festa
. 13° salário
. Ganhar presentes dos fornecedores da sua empresa (eu ganhei um vinho este ano)
. Boa época para fazer planos de celular
. Férias (para quem não trabalha)

Contras:
. Trabalhar no Natal é muita sacanagem, mas tem gente que precisa, como médicos e comerciantes
. Quem tem filho, gasta metade do 13° no presente do pivete
. É complicado viajar, pois até o dono daquela pousada irada que você descobriu na internet tem família
. Lembrar que você não tem 13° salário, férias garantidas, planos de saúde, PLR, entre outros benefícios, enquanto outras pessoas têm (autônomos e PJs)
. Ouvir as mesmas piadas todos os anos daquele teu primo mala enquanto passa fome esperando dar a meia-noite para liberarem a comida
. Tudo fica mais caro no comércio
. O trânsito fica insuportável, assim como shoppings e lojas
. A maioria dos serviços não funcionam, e os que funcionam, fazem de forma precária. Já tentou passar no pronto-socorro durante o Natal?
. Impossível usar celular devido aos cornos que passam o dia desejando feliz Natal via torpedo SMS
. Poucas visitas no blog
. Com excessão do comércio, o resto da economia fica desaquecida até o carnaval, quando o Brasil resolve trabalhar rs. É uma espécie de férias coletivas generalizadas entre Natal e carnaval.
. Impostos
. Impostos
. Impostos
. Viagens ficam mais caras – da passagem até a estadia
. Presunto de Natal (ô desgraça)
. Comerciais de Natal (“Pão Pão Pão Pão”)
. Músicas de Natal (de Jingle Bells até Noite Feliz)
. Overdose de Natal e Papai Noel na mídia
. Powerpoints e spams de Natal
. Cartas de Natal com os dizeres “Feliz Natal e próspero ano novo” (coisa mais genérica e mentirosa. Tá na cara que a pessoa que te enviou não pensou 2 minutos em você para escrever alguma coisa mais interessante)
. Papai Noel de shopping

Veridicto:
Apesar dos contras serem inegavelmente mais numerosos, o fato do Natal ser um feriado é incontestável. VITÓRIA PARA O SANTA !

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Retrospectiva08

(plagiado na cara de pau do blog do Yassuda)

Posts mais lidos:
1° – Um pouco de arte: grafite
2° – Daruma’n’
3° – Esse é o cara !
4° – As 10 melhores capas de discos de samba
5° – Achei uma chana na rua !

Posts mais comentados:
1° – Daruma’n’
2° – Há! Desenho pra caralho mesmo…
3° – Muitos posts empatados

Links mais clicados:
1° – Site para criar seu próprio “mangatar” no post Caricature-se
2° – Teste online do famoso Max Lüscher no post Teste das cores – Max Lüscher
3° – Feed do re’cordis no post Feed-se (aproveitem para se cadastrar para receber as notícias no navegador, email, etc)

Pessoas que mais comentaram:
1° – Lashman
2° – Ockilupo
3° – Zerowd

Por fim, faço meus votos pra todos que lêem o re’cordis, e especialmente aos amigos que participam ativamente comentando e dando sugestões:

Desejo um Natal estupidamente do caralho para vocês !


Imagem do dia: limão voador

Estudo com perspectiva de 1 ponto. É uma mosca vista de trás sobrevoando a cidade, inspirada naquelas capas do HQ Homem Aranha que qualquer nerd conhece.

No final, acabou parecendo o limão da Pepsi rss. Acho que vou mandar pra agência deles como sugestão :-).

O futuro da publicidade no Brasil

“- Quero meu logo maior !”

Introdução para quem não trabalha com comunicação –
Não. A gente não cruza os pés sobre a mesa, nem apoia o queixo em uma das mãos e faz um semblante quase celestial momentos antes da grande idéia – aquela que acende a lâmpada no pensamento.

Aliás, eu nem sei porque tem tanta gente com essa idéia maluca de prestar publicidade e propaganda no vestibular. E olha que já faz alguns anos que o número de candidatos por vaga de P.P é maior que cursos super tradicionais, como medicina e direito.

Deve ser propaganda enganosa, só pode. Embora ame de paixão o que faço, devo admitir que eu também cai. Aquela coisa de “Lellis Tratoria, o restaurante dos políticos, dos jornalistas, dos publicitários…”.

De perto, a publicidade está bem distante da imagem que passam para as pessoas (deve ser propaganda enganosa também rs). Ouso dizer que, na realidade, ela é feia, bem feia. Nenhuma área é perfeita, eu sei, mas a minha é um pouco punk. Esperava, por exemplo, usar a carteira de trabalho pra outros fins mais dignos do que peso de papel rs.

Isso pouco importa agora. Dos pontos negativos, espero que melhorem, sempre – e batalho por isso. O intuito desse post é fazer uma crônica em cima de uma das coisas mais cômicas da publicidade: o cliente. É ele que paga pelo trabalho, é ele que aprova, enfim, é ele que pede pra aumentar o logo em 100% dos trabalhos.

Uma das coisas mais chatas do cliente, além de pedir pra aumentar o logo em todos os anúncios, é redesenhar todo o seu trabalho. Você fez faculdade e vem de muitos cursos e estudos pra saber que no caso do cliente X, seria legal trabalhar com uma postura mais agressiva de comunicação, com cores fortes, modelos estilosas e o escambáu. Daí chega o infeliz e pede pra mudar tudo !

Mas em um futuro não tão distante, isso vai mudar. Acompanhem:

————————

Andava em passos rápidos, quase tropeçando. Eram 8:47 e Bola estava a 2 quadras do seu trabalho. – Tinha esse apelido porque durante um campeonato intercolegial, ganhou os 100m rasos, e de tanta alegria, saiu da piscina e foi comemorar no lugar mais alto do ginásio. Não tinha reparado que a sunga tinha dividido aquelas 2 partes do homem, uma pra cada lado. Na realidade, a ansiedade dos pés era de uma constante preocupação com seu emprego. Era o último diretor de arte na ativa, e por isso, era considerado um gênio, um marco, praticamente o último dos moicanos da publicidade humana, como era chamada quando ainda existia redatores, mídias e atendimentos.

Trabalhava na última agência de publicidade do país, sobrevivendo de pequenos clientes que não tinham verba para comprar o novo pacote CCS (Client Creative Suit), que era a solução para qualquer tipo comunicação. Por meio dele, o cliente mandava, e o computador obedecia. Fazia anúncios, folders, sites, comerciais de TV, spots de rádio, enfim, os programas faziam tudo o que o operador desejava. A mágica era um dispositivo acoplado ao dedo indicador. Se imaginasse um lindo parque com flores, céu azul e pássaros voando, a cena era recriada em tempo real na tela. Não bastando imaginar, ainda interpretava informações faladas, no caso do operador não conseguir aplicar em sua mente: “- Preciso do céu mais azul. Não, mais verde agora”.

Nos momentos que conseguia esquecer a sensação de corda no pescoço, lembrava dos velhos tempos, quando ainda tinha um redator como dupla de criação. Lembrava dos jobs pra ontem e dos clientes malas que ligavam na agência reclamando que o logotipo estava pequeno no anúncio. – Esses programas são uma merda ! – praguejou em sua mente. Não conseguia se conformar que sua profissão estava com os dias contados, praticamente extinta.

O seu trabalho era receber donos de empresas, que vinham à agência depois de uma noite inspirada e uma campanha publicitária pronta, bastando imaginar para o computador produzir. Não gostava do que fazia, mas era o único emprego digno que poderia fazer com a formação de publicitário. Quem já tinha sido cortado do mercado, virava hippie ou voltava para o campo.

Nesse mesmo dia, recebeu uma figura estranha: era um homem alto e forte com uma barba bem espessa e preta. Queria criar um comercial de TV para a sua fábrica de pregos. Para tal, tinha trazido uma série de referências impressas como obras de arte até anúncios de concorrentes. No meio da bagunça, Bola identificou uma antiga pintura – era Mona Lisa. Então deixou os primeiros esboços da imaginação do homem tomarem forma na tela.

- Você não pode utilizar o quadro nesse comercial. A propriedade intelectual é de outra pessoa.
- Como não? Tô pagando!

Depois de muitos retoques, o cliente avisa que vai finalizar, mas o programa não permite salvar, pois o quadro da Mona Lisa tem os direitos reservados. Apesar da clareza de informação, o cliente, como nos velhos tempos da publicidade, fica maluco, e em um acesso de fúria, pega o Bola pelo colarinho e mete um prego no pescoço dele, que agoniza no chão e morre.

Felizmente, o Bola não tinha contrato e nem carteira de trabalho. Era considerado mais um autônomo fantasma na sociedade e por essa razão, nunca aconteceu nada com o homem alto e forte, que apenas mandava uma caixa com 10.000 pregos e 10.000 parafusos para a mãe do Bola, para pagar as contas da casa vendendo para antigos publicitários, que tinham migrado para o campo atrás de novos desafios.

Anos depois da morte, um homem caminhou até a sepultura do Bola. Era o redator e ex dupla de criação dele, que derramando lágrimas, pega um spray e escreve no cimento: “O futuro é o passado” e volta para o campo. Foi a sua última visita ao túmulo. FIM

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