Malandragem dá um tempo: Walt Disney no Rio

Dizem que quando Walt Disney veio ao Brasil em 1941, mais especificamente no Rio de Janeiro, conheceu muitos pontos turísticos da cidade. A razão da pesquisa era a produção de 2 filmes inspirados na cultura brasileira, e que serviriam para “unir” os países contra o “eixo”, esforço de guerra. Apesar de toda a teoria da conspiração aqui, o que importa da visita do artista no país é sua visita ao Pão-de-açucar:
Depois de dias turistando pela cidade maravilhosa, Walt Disney resolve conhecer o Pão-de-açucar. Para felicidade das crianças, dessa vez ele vai sem a equipe de produção, o que acarreta em uma das situações mais ridículas e caricatas do Brasil sil sil: tentaram vender o Pão-de-açucar para o gringo ! (rss)

Tentem imaginar a oferta! -Para você, que é um gringo do bem, ofereco todas essas montanhas por apenas R$ 99,99 réis (moeda vigente em 1941). Que absurdo !
Desse caso, surgiu um dos principais personagens Disney, o Zé Carioca, que mais tarde iria estrear os filmes Salutos Amigos (Alô Amigos) em 1943 e The Three Caballeros (Você já foi à Bahia?) em 1944.

O personagem Zé Carioca é um papagaio, que vive fugindo dos cobradores, pois deve dinheiro e não consegue pagar (acho que essa situação é comum até hoje, né?). Ele sempre carrega consigo um guarda-chuva e um chapéu-panamá, que são parte do “malandro clássico” do Rio de Janeiro, como diz a letra de Wilson Batista: “Meu chapéu do lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio” - Evidentemente, a navalha foi trocada pelo guarda-chuva :-).
O que acho mais fantástico de tudo isso, foi a capacidade do Walt Disney de em tão pouco tempo, sacar o malandro esteriótipo carioca, e depois personificar de modo que até um ser que mora no Acre (Acre existe?) se identificar com o Zé Carioca.
Podemos lembrar um dos maiores historiadores do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda – sim, pai do Chico (rs) – demorou anos e anos a fio para resultar em o que ele chamou de “cordialidade brasileira”, que se liga ao famoso jeitinho brasileiro, coisa que o gringo sacou em 3 dias. Sérgio ainda identificou muitos outros aspectos importantes do brasileiro, mas um que vale a pena sair um pouco do assunto e ser citado, é que por causa da cordialidade brasileira, o país está estagnado nos ambientes político e social, sem chances de mudar. A “mudança”, segundo ele, deve vir de dentro do país, em outras palavras, do brasileiro. O país não cresce porque o brasileiro não quer, já dizia um velho amigo.
Poxa, quer dizer que a gente está na merda porque somos malandros? Muitos acreditam que sim.
Na minha opinião, acho que se realmente a gente estivesse determinado a mudar o país, a gente conseguiria. O problema é quem de fato se mexe e faz alguma coisa é 0.1% da população. Se todo político que roubasse e não fosse preso, o povo saísse em peso nas ruas pra colocar ele pessoalmente atrás das grades, a malandragem na política estaria resolvida, e nunca mais teríamos que ver aquelas piadas mais-que-chatas de políticos ladrões.
Próximo post continuo a história sem fim da malandragem no Brasil.








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