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As 10 melhores capas de discos de samba

Uma das coisas mais legais da web são as famosas listas de 10 alguma coisa, e o re’cordis não poderia ficar fora dessa, então listei as 10 melhores capas de discos de samba que conheço. Os únicos parâmetros são: discos solos (não vale coletâneas, por ex) e tem que ser samba de verdade, então nada de nhe-nhe-nhe

10. A Velha Guarda (1955)

Disco clássico com Pixinguinha, Donga e João da Baiana (a “Santíssima Trindade” que Martinho da Vila sempre comenta). Foi gravado em um dia só, em uma sessão de 4 horas no estúdio.

09. João Nogueira - Pelas terras do pau brasil (1984)

08. Roda de Samba (1973)

Uma roda de samba literalmente! Armaram uma batucada e gravaram rs. Adoro o disco e mosaico da capa com estilo africano, cores e formas.

07. Clementina de Jesus - Clementina & Convidados (1985)

O criador dessa capa é o artista Elifas Andreato, que em uma entrevista à Veja SP, contou um pouco sobre a história desse disco, que é fantástica:

(Idéia originalmente para o disco de 1980)

“Fiz aquela capa da Clementina, que é uma marca de pé no barro. Cheguei à gravadora e me falaram a mesma coisa que falaram da capa do Adoniran: ‘Xi, rapaz, ela não vai querer esse negócio, melhor fazer um retrato’. Disse que não faria e a capa saiu daquele jeito. Em seguida, o Hermínio Bello de Carvalho, que descobriu a Clementina, fez uma homenagem a ela na Funarte (Fundação Nacional de Artes). Sabe o que ela pediu de presente? Que eu fosse à Funarte gravar o pé dela no barro. Ela falava: ‘Hermínio, a capa é linda, mas não é o meu pé’. Então tive de fazer um molde com o pé dela.

A idéia do pé na terra é porque ela, uma cantora extraordinária, representa a contribuição mais significativa nas raízes da música brasileira, que é o samba. O samba que nasce no terreiro, nas senzalas.”

06. Dorival Caymmi - Eu vou pra maracangalha (1957)

Na minha opinião, o melhor disco do Dorival Caymmi. A capa é fantástica, e ilustra todo o conceito que é esse disco (reza a lenda que é o 1o disco “conceitual” do Brasil). Uma frase que encontramos em uma das músicas: “tem tanta mulher no mundo, só não casa quem não quer” - tá falado!

05. Monarco - Monarco (1976)

O primeiro disco solo do Monarco, o cabeça da Velha Guarda da Portela. É esse disco que foi lançado primeiro no Japão para depois chegar no Brasil - já havia falado disso no post de 100 anos do Cartola.

04. Paulinho da Viola - Bebadosamba (1996)

Disco fantástico e o mais recente da minha lista :-). O termo bebadosamba pra mim tem um sentido tão bacana que já até dissertei sobre ele na faculdade. Além da capa, o conteúdo é de primeira e vem com um brinde: um poema batucado que adoro, sei de cor e inclusive está no meu profile do orkut, vou transcrever:

“Um mestre do verso de olhar destemido,
disse-me uma vez com certa ironia:
Se lágrima fosse de pedra, eu choraria
Mas eu, Boca, como sempre perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha nessas horas,
Saudade do passado, remorso,
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente por questão de estilo
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos. E quando aflora,
Serve antes de tudo
Para aliviar o peso das palavras,
Que ninguém é de pedra”

03. Candeia - Filosofia do samba (1971)

O maior sambista que já pisou nesta terra, na minha opinião. A capa mostra uma ilustração da águia da Portela, escola de samba do mestre.

02. Martinho da Vila - A rosa do povo (1976)

Foi difícil escolher entre os discos do Martinho José Ferreira pela quantidade e qualidade de suas capas, mas a Rosa do meu povo levou pela história que tem.

Do mesmo jeito que transcrevi parte da entrevista do artista à Veja SP, segue mais essa:

“No início da década de 70, a MPB tinha uma força danada. E era uma força que estava além da própria música, era uma força sócio-política. Quando fizemos a Semana de Arte Moderna, em 72, junto com os centros acadêmicos, quisemos fazer a contra-comemoração do aniversário da ditadura. Então organizamos um mês de atividades na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Eu me lembro que o Martinho da Vila havia estourado com a música O Pequeno Burguês. Naquela época Chico Buarque, Gil e Caetano estavam exilados e Geraldo Vandré tinha sido banido. Propus levar o Martinho ao evento. Os estudantes quase me lincharam porque ele era milico. Então, numa reunião com representantes dos centros acadêmicos fiz uma defesa dele. Disse que o samba era de protesto, de contestação.

O Martinho não foi sozinho para o palco. Levou a Velha Guarda da Vila Isabel e matou a pau. No final, a estudantada estava de pé. Dois dias depois eu estava em casa, na Pompéia, e a empregada, Dona Antônia, chegou e disse: ‘Seu Elifas, tem um homem na porta que é igualzinho ao Martinho da Vila. Até a voz dele é igual!’ Era o próprio. Foi me convidar para fazer a capa de seu próximo disco. Desde então, faço todas.”

01. Cartola - Verde que te quero rosa (1977)

A melhor, a mais emblemática, e a mais antológica capa de disco de samba da história na minha opinião! Um close da cara feia do Cartola tomando café com sua xícara verde e pires rosa, cigarro na mão, óculos escuros e só.

Comments (2 comments)

Show de bola!……… gostei bastante do cartola, martinho da vila e da Clementina ……….. agora se for ver o interior do CD fico com cartola e paulinho da viola hahahha

abraços

Ockilupo / October 22nd, 2008, 7:30 pm

SHow de bola….. Cartola número 1!
Esqueceu de comentar sobre a camiseta roxa dele! aauhauhauhauhauhauhaa
Se cartola usa camiseta roxa ele é estiloso… mas se Lashboy usa camiseta roxa ele é….
Não fala nada viu! ahuahuhuahuaahuhuhaa

Mas acho que a que mais curti foi a capa da pegada no chão!

LASHMAN ROUNES / October 22nd, 2008, 8:59 pm

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