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Category 'Artes / Design / Propaganda'

O fascínio que algumas marcas conseguem exercer nas pessoas

Toda empresa tem uma marca, até mesmo os botecos sujos têm. Mas o que faz uma pessoa, por exemplo, tatuar o logotipo da Puma em seu corpo? Por que as pessoas tatuam Puma e não Adidas? Como um relógio chamado Rolex consegue ser mais caro que uma casa?

A imagem acima ficou famosa na internet, porque mostra o quão ridículo é essa adoração pelas marcas. É quase como um “o amor é cego” rs. Por que caralhos alguém vestiria um maiô com a maça da Apple?

Vamos começar pelo ambiente profissional, mais especificamente com publicitários e agências de publicidade. É de conhecimento popular que nós adoramos os produtos da Apple acima de tudo. Ouso dizer que, no meio, o lançamento do Iphone foi a segunda maior invenção do homem depois da televisão rs.

Até aí, tudo bem. Cada um tem seu gosto e suas loucuras, porém, a adoração pela maça ultrapassa o bom senso - explico: quando trabalhamos com publicidade, temos um público a atingir, que chamamos de público-alvo, e, é óbvio que quanto mais próxima a mensagem for do receptor, melhor.

Agora imagina um panorama que uma empresa produz um software antivírus, e para anunciar ao mercado a notícia, pede a sua agência que crie uma campanha publicitária. O público do produto é composto por homens de 29-49 anos, usuários de notebook, empresários, e não entendem nada de computador, mas sabem que é preciso proteger os dados de vírus, spywares, etc.

Uma das peças da campanha, é um anúncio bonitão 1 página na revista de maior circulação do país. Ela mostra um homem de terno em um ambiente de trabalho lendo seus e-mails. LINDO ! A montagem é óbvia, mas é isso que significa aproximar a mensagem do receptor.

Infelizmente, os publicitários deixaram a tietagem falar mais alto e produziram um notebook que mostrava o sistema MAC/OS. Mesmo sabendo que 99,9999% do público da campanha usa ruindows.

Eu sei que agências em sua maioria trabalham com macs, mas não é nada difícil produzir uma foto com ambiente ruindows, né?

Pena que não achei o anúncio do antivírus, mas seria algo como o anúncio abaixo. Existem quantos macs em Fortaleza? 300? Por que usar uma montagem em cima do sistema do mac, tornando o anúncio menos efetivo?

Ainda falando de Apple, tenho um amigo que manja muito de vendas, e sempre que vai fazer alguma palestra, leva seu notebook da maça, pois ele diz que até pagam melhor rs. O engraçado é que outro dia ele me ligou perguntando como que fazia pro note ter acesso à internet depois de um tempão depois de ter comprado. Resumo: ele só foi aprender a usar o negócio depois.

Acredito que o motivo para tudo isso é o fascínio que algumas marcas conseguem exercer nas pessoas. É o típico tema de quem tem um quê meio punk-anarquista-ciênciais-sociais-política rs. Como explicar um fenômeno como o Iphone, que vendeu mais que Coca-cola, mesmo obtendo notas piores nas comparações técnicas com os concorrentes?

Quem compra Apple, não quer somente um computador, quer todo o status de uma marca adorada nos quatro cantos do planeta. Quer o design perfeito, quer estampar o logotipo da maça no carro e aonde for com seu notebook.

Usei os produtos da maça pois são mais fáceis de comparação, mas esse fascínio se aplica a outras áreas. Muito antes da chegada dos computadores, já tínhamos Rolex, Puma, Mercedez. As pessoas querem ostentar objetos que poucos podem ter, querem ser superiores, querem participar de um seleto grupo. Isso acontece desde que o mundo é mundo. O que seria do ouro em um lugar sem divisões sociais? -Seria um tipo de metal pouco usado, pois possui características inferiores aos seus irmãos.

Por mais que a gente tenha consciência disso, todos temos um pouco desse desejo de status, pois está enraizado na sociedade. Alguns poucos marginalizados dessa situação, como budistas rs, mas mesmo eles têm suas divisões.

Acho que o melhor a fazer é tentar ser imparcial na questão das marcas. Com a quantidade de comparações e reviews na internet, vale a pena pesquisar antes de sair por aí comprando a marca X somente porque ela é cool :-)

Fuerza Bruta

Se alguém perguntasse para mim como é o espetáculo Fuerza Bruta, responderia que é bárbaro: um show 360º e que trabalha com 4 sentidos das pessoas. Ora você está olhando para o personagem que rompe barreiras e portas (acima), ora tentando desvendar os próximos passos de uma pessoa pendurada no teto e que faz movimentos de dança.

Gostei muito desse negócio de 4 sentidos, pois parte de uma categoria de espetáculo denominada “arte visual”. Basicamente os sentidos provocados são a visão, audição, tato e olfato, e todos são ativados ao mesmo tempo, proporcionando uma experiência bem bacana.

Outro ponto legal é a movimentação que a platéia precisa fazer dentro da tenda para acompanhar os artistas e as performances. Em certo momento do show, uma superfície transparente com água desce e as pessoas são prensadas embaixo (abaixo). Logo, uma voz anuncia que é para tocar com a ponta dos dedos.

Por falar em interativo, um dos artistas beijou e encerou minha careca rs. Nunca ouvi tantos flashes na minha vida. Vou esperar uns dias e procurar na internet - quero muito essa foto rs :-).

Recomendo a todos que puderem ir, pois vale a pena, mesmo que o preço do ingresso esteja bem acima do budget da maioria dos brasileiros. Convites a 120 pila + 12 de taxa de conveniência + 20 estacionamento. Caro? Então torça para ter carteira de estudante rs. Até 9 de novembro.

fotos Alejandro Guyot

As 10 melhores capas de discos de samba

Uma das coisas mais legais da web são as famosas listas de 10 alguma coisa, e o re’cordis não poderia ficar fora dessa, então listei as 10 melhores capas de discos de samba que conheço. Os únicos parâmetros são: discos solos (não vale coletâneas, por ex) e tem que ser samba de verdade, então nada de nhe-nhe-nhe

10. A Velha Guarda (1955)

Disco clássico com Pixinguinha, Donga e João da Baiana (a “Santíssima Trindade” que Martinho da Vila sempre comenta). Foi gravado em um dia só, em uma sessão de 4 horas no estúdio.

09. João Nogueira - Pelas terras do pau brasil (1984)

08. Roda de Samba (1973)

Uma roda de samba literalmente! Armaram uma batucada e gravaram rs. Adoro o disco e mosaico da capa com estilo africano, cores e formas.

07. Clementina de Jesus - Clementina & Convidados (1985)

O criador dessa capa é o artista Elifas Andreato, que em uma entrevista à Veja SP, contou um pouco sobre a história desse disco, que é fantástica:

(Idéia originalmente para o disco de 1980)

“Fiz aquela capa da Clementina, que é uma marca de pé no barro. Cheguei à gravadora e me falaram a mesma coisa que falaram da capa do Adoniran: ‘Xi, rapaz, ela não vai querer esse negócio, melhor fazer um retrato’. Disse que não faria e a capa saiu daquele jeito. Em seguida, o Hermínio Bello de Carvalho, que descobriu a Clementina, fez uma homenagem a ela na Funarte (Fundação Nacional de Artes). Sabe o que ela pediu de presente? Que eu fosse à Funarte gravar o pé dela no barro. Ela falava: ‘Hermínio, a capa é linda, mas não é o meu pé’. Então tive de fazer um molde com o pé dela.

A idéia do pé na terra é porque ela, uma cantora extraordinária, representa a contribuição mais significativa nas raízes da música brasileira, que é o samba. O samba que nasce no terreiro, nas senzalas.”

06. Dorival Caymmi - Eu vou pra maracangalha (1957)

Na minha opinião, o melhor disco do Dorival Caymmi. A capa é fantástica, e ilustra todo o conceito que é esse disco (reza a lenda que é o 1o disco “conceitual” do Brasil). Uma frase que encontramos em uma das músicas: “tem tanta mulher no mundo, só não casa quem não quer” - tá falado!

05. Monarco - Monarco (1976)

O primeiro disco solo do Monarco, o cabeça da Velha Guarda da Portela. É esse disco que foi lançado primeiro no Japão para depois chegar no Brasil - já havia falado disso no post de 100 anos do Cartola.

04. Paulinho da Viola - Bebadosamba (1996)

Disco fantástico e o mais recente da minha lista :-). O termo bebadosamba pra mim tem um sentido tão bacana que já até dissertei sobre ele na faculdade. Além da capa, o conteúdo é de primeira e vem com um brinde: um poema batucado que adoro, sei de cor e inclusive está no meu profile do orkut, vou transcrever:

“Um mestre do verso de olhar destemido,
disse-me uma vez com certa ironia:
Se lágrima fosse de pedra, eu choraria
Mas eu, Boca, como sempre perdido
Bêbado de sambas e tantos sonhos
Choro a lágrima comum,
Que todos choram
Embora não tenha nessas horas,
Saudade do passado, remorso,
Ou mágoas menores
Meu choro, Boca,
Dolente por questão de estilo
É chula quase raiada
Solo espontâneo e rude
De um samba nunca terminado
Um rio de murmúrios da memória
De meus olhos. E quando aflora,
Serve antes de tudo
Para aliviar o peso das palavras,
Que ninguém é de pedra”

03. Candeia - Filosofia do samba (1971)

O maior sambista que já pisou nesta terra, na minha opinião. A capa mostra uma ilustração da águia da Portela, escola de samba do mestre.

02. Martinho da Vila - A rosa do povo (1976)

Foi difícil escolher entre os discos do Martinho José Ferreira pela quantidade e qualidade de suas capas, mas a Rosa do meu povo levou pela história que tem.

Do mesmo jeito que transcrevi parte da entrevista do artista à Veja SP, segue mais essa:

“No início da década de 70, a MPB tinha uma força danada. E era uma força que estava além da própria música, era uma força sócio-política. Quando fizemos a Semana de Arte Moderna, em 72, junto com os centros acadêmicos, quisemos fazer a contra-comemoração do aniversário da ditadura. Então organizamos um mês de atividades na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Eu me lembro que o Martinho da Vila havia estourado com a música O Pequeno Burguês. Naquela época Chico Buarque, Gil e Caetano estavam exilados e Geraldo Vandré tinha sido banido. Propus levar o Martinho ao evento. Os estudantes quase me lincharam porque ele era milico. Então, numa reunião com representantes dos centros acadêmicos fiz uma defesa dele. Disse que o samba era de protesto, de contestação.

O Martinho não foi sozinho para o palco. Levou a Velha Guarda da Vila Isabel e matou a pau. No final, a estudantada estava de pé. Dois dias depois eu estava em casa, na Pompéia, e a empregada, Dona Antônia, chegou e disse: ‘Seu Elifas, tem um homem na porta que é igualzinho ao Martinho da Vila. Até a voz dele é igual!’ Era o próprio. Foi me convidar para fazer a capa de seu próximo disco. Desde então, faço todas.”

01. Cartola - Verde que te quero rosa (1977)

A melhor, a mais emblemática, e a mais antológica capa de disco de samba da história na minha opinião! Um close da cara feia do Cartola tomando café com sua xícara verde e pires rosa, cigarro na mão, óculos escuros e só.

A Trama do Tempo

São 8:21 da noite desta quinta-feira abafada com jeito de chuva, e pra variar, estou preso no trabalho esperando uma parte de outra pessoa, que no final, irá se juntar a minha parte e a de todos os outros que trabalharam no projeto para ser finalizado agora. Bom, sou eu que finalizo, por isso estou aqui rs :-). Mas para infelicidade minha, e de qualquer mortal, o tempo não pára.

A falta de tempo é um dilema da atual sociedade, especialmente em grandes cidades, e hoje, existem até estudos que calculam o prejuízo causado por isso. Seja na conta com remédios do estressado que perde 4 horas por dia no trânsito em São Paulo, ou no constante atraso por projetos sociais de uma prefeitura que não consegue trabalhar na velocidade dos problemas.

Admito que sou bastante ansioso, e por isso, a questão do tempo me afeta bastante, mas estou progredindo :-). Hoje consigo me segurar quando vejo que o tempo livre que tinha destinado ao lazer está se esgotando, afinal, a vida não é uma corrida. Minha vida mudou muito nesses últimos anos e já não consigo manter todos os projetos e estudos que fazia antes, mas não é por isso que vou perder o cabelo rs.

Existe uma frase que li naquela seção de frases dos famosos da Veja, que ao mesmo tempo gosto e desgosto. Era algo como “as pessoas que realmente fazem 1000 coisas por dia, nunca reclamam que não têm tempo”. Depois que li essa birosca ao lado, tento, mesmo com os imprevistos como os de hoje, terminar tudo o que tenho vontade de fazer, mesmo que vá dormir às 4 da matina.

Tramitando pela falta de tempo, acabei lendo hoje sobre a exposição chamada A Trama do Tempo, que vai reunir 15 obras do artista plástico uruguaio Juan Muzzi, todas -evidentemente- abordando o tema.

Não é todo dia que temos uma exposição com um tema realmente atual. Por essa razão que estou disposto a gastar meu valioso tempo livre para ir visitar :-)

No único release que achei disponível na internet, tem um parágrafo que vale a pena transcrever aqui, e que resume o que podemos esperar da exposição:

“A sensibilidade do artista em reproduzir a figura humana adquire várias formas. Surge na construção assimétrica colorida, em preto e branco e também nos códigos de barras. Sem cara, anônimos, as pessoas aparecem massificadas, massacradas pelo tempo ou peso do dinheiro, este último representado pela enorme barra de ouro. ‘Quem somos? O que somos? Números!’, responde Juan.”

Acabei simpatizando tanto com o tema, que fui atrás do trabalho deste artista, e para minha surpresa, descobri que foi ele quem customizou uma das versões mais famosas do toy art Bicudo (imagem abaixo), personagem criado pelo grafiteiro Rui Amaral no túnel da Av. Paulista. Ainda passei em seu site e vi que ele trabalha não só com pintura, mas também com gravuras e até esculturas, e muitas de suas obras abordam o tempo como tema.

Quem se interessou pela exposição como eu, lá vai:

A Trama do Tempo - Consulado do Uruguai - Rua Estados Unidos, 1284, Jardins, São Paulo, SP. Tel.: 11 2879-6600. Seg. à sex.: 9h às 16h. Livre. Até 24/11. Grátis.

Teste das cores - Max Lüscher

cores es

Por trabalhar com direção de arte, acabo estudando alguns elementos bases da arte, como a cor. Em um dos inúmeros livros sobre o assunto, conheci o trabalho do suiço Max Lüscher, psicólogo, psiquiatra e filósofo - sim, são 3 em 1 aqui rs.

Ele defendeu uma tese há algumas décadas atrás, sobre a possibilidade da cor diagnosticar o estado psicológico de uma pessoa. Toda essa história virou um teste, que é usado até hoje em clínicas de psicologia, como ferramenta dos recursos humanos em empresas, órgãos do governo, e inclusive vendido em forma de livro.

Como ninguém aqui vai sair e comprar o livro pra realizar o teste, separei um link com uma versão traduzida para português. Embora não seja o recomendado, por motivos como diferença de cor de monitor pra monitor, e fundo branco - muda a percepção das cores, o teste pela internet chega perto. Já fiz 2x e fiquei impressionado com o resultado.

Acredito que a cor tenha sim, muita relação com o nosso comportamento, mas fico em cima do muro quanto às aplicações dela. Por exemplo, reza a lenda que as cores do McDonald’s são vermelho e amarelo para as pessoas comerem rápido e sair da lanchonete; quando dizem que uma pessoa está vermelha de raiva, verde de nojo, roxa de frio; cromoterapia - a cura pela exposição às cores, etc.

A imagem foi tirada durante minha viagem ao ES, com o intuito de pesquisar novas paletas de cor para os meus trabalhos.

Façam o teste -com calma- e comentem :-)

Ação de comunicação bem-humorada

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No dia em que fui visitar a exposição do Duchamp no MAM (post anterior), fui abordado por esse boneco gigante no caminho. Era uma ação de comunicação para um candidato a vereador de São Paulo. Particularmente não gosto das campanhas políticas, pois acho que são abusivas, mas esta em especial chamou minha atenção pelo bom humor.

Quem passava na ponte sobre a avenida, era logo seguido pelo boneco que sacaneava a todos. Depois da brincadeira, uma outra pessoa entregava um folheto do candidato. O rosto do boneco é a melhor parte e me garantiu boas risadas :-).

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Duchamp no MAM

duchamp 03

No último sábado fui conferir a exposição Marcel Duchamp: a obra que não é uma obra no MAM. Sempre gostei do trabalho dele, principalmente depois que coloquei na cabeça que era uma crítica a alguns artistas e suas obras imortais pouco acessíveis. Nada melhor do que ver pessoalmente o urinol (imagem acima) como uma super obra de arte rs.

Duchamp ficou famoso com a invenção do ready made, objetos do nosso cotidiano elevados a status de arte, como urinol, roda de bicicleta, porta-garrafas, entre outros. Diferentemente de outros artistas, para apreciar a obra do Duchamp não se cruza os dedos sob o queixo, faz uma cara de intelectual e admira a qualidade estética. Sua importância está exatamente na atitude anti-artística do conjunto dos seus trabalhos.

Antes que alguém aqui entenda que ele foi uma espécie de punk da arte, devo dizer que o cara é considerado um dos mais importantes artistas do século XX, e que redefiniu radicalmente o conceito de fazer arte. Na época, o pensamento era de produção, eficácia e transpiração como valores de trabalho. Duchamp separou inspiração de transpiração, sugerindo arte como exercício mental. Conceito também aplicado fora do campo artístico e com vestígios até hoje no design e propaganda.

Uma das suas principais obras é A Fonte (img 1), um urinol comprado em qualquer loja de construção e enviado para um concurso de arte somente com a assinatura -R.Mutt 1917. Evidentemente o objeto foi recusado pelo juri, que alegou que não tinha nenhum labor artístico.

duchamp 01

Acima uma foto que tirei na exposição da roda de bicicleta acoplada a um banquinho, seu primeiro ready made e que ilustra a idéia de elevar objetos corriqueiros a status de obra de arte. Como imaginar uma cena dessas em um museu?

Abaixo a obra LHOOQ, que soletrada em francês, ficaria algo como -Elle a chaud au cul, e significa Ela Tem Fogo No Rabo em português, e não é nada mais do que um cartão postal que foi adicionado um bigode e barba com caneta :-)

LHOOQ

Quem quiser conferir a exposição tem até o dia 21/09 no MAM no Parque do Ibirapuera. Maiores informações no próprio site do museu.

Um pouco de arte: grafite

osgemeos01

Graffiti é um tipo de inscrição feita em paredes, com os primeiros relatos ainda no Império Romano. De origem italiana, a palavra virou grafite no Brasil, e foi no final dos anos 70 que começou a incorporar-se na cultura urbana do país, junto com o fortalecimento de movimentos sociais como o Hip-Hop.

Na realidade, resolvi escrever sobre o grafite pois coincidentemente com o meu interesse pelo assunto, cada vez mais valoriza-se este tipo de arte - e vejo com bons olhos. Só para ter uma idéia, a prefeitura de São Paulo pediu recentemente aos grafiteiros que listassem obras que merecem ser preservadas, e além disso, vai restaurar alguns grafites que por ventura estão gastos ou foram apagados.

O primeiro grafite que me surpreendeu foi em uma caixa de telefone na Rua Augusta, que foi totalmente envelopada pelo desenho de um personagem. Aliás, essa é uma das características que acho mais bacana do grafite - tornar qualquer forma urbana em espaço para a arte, que vai muito além de paredes. Essas formas interagem com o desenho, como a obra dos osgemeos que emoldura este post: são 5 personagens sendo enquadrados pela polícia embaixo do viaduto.

Mas o mais importante, e que determina o grafite como arte, é que possui uma mensagem. As obras comunicam algum fato, alguma revolta, alguma opinião. O trabalho dos osgemeos, por exemplo, na minha opinião possui um perfil mais narrativo, e busca retratar a cidade e seus personagens. Já os desenhos do italiano blu são críticas à sociedade em geral, como o desenho abaixo à esquerda, que remonta a idéia do pinóquio mentiroso com nariz grande em um prédio do governo.

blue osgemeos

Outro aspecto do grafite é que está presente na paisagem urbana. Você não precisa visitar exposições ou museus para ver as obras. Mais que isso, os desenhos retratam momentos da sociedade. Não é algo pago, comercial. É arte legítima que faz as pessoas pararem e reflitirem sobre o tema proposto. Bom, não levando em conta aqueles grafites contratados nos portões das escolas, por exemplo rs :-).

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A imagem acima é obra do onesto, um dos 72 pseudônimos do artista multimídia Alex Hornest, que apesar do nome gringo é brazuca. O trabalho do cara é tão bom que lançaram agora um livro dedicado aos seus grafites. Para quem ficou curioso da razão de tantos pseudônimos, segundo o artista, é para não ficar preso em um mesmo estilo.

Pelo que entendi na minha breve pesquisa, os brasileiros são considerados referência no grafite, inclusive com trabalhos no exterior, como é o caso do gigante com o pipi de fora (fig. 3), assinado pelos osgemeos na fachada do Tate Modern em Londres, o maior museu de arte contemporânea do mundo e um dos mais importantes da europa.

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Este post é apenas um pouco da minha visão sobre o grafite. Como qualquer arte, a interpretação é subjetiva, então recomendo quem puder conferir, que acesse os sites dos artistas que vale a pena: osgemeos, blu, onesto.

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