blog re'cordis
6Aug/100

Adoniran não é só Saudosa Maloca e Trem das Onze

Se o Adoniran estivesse vivo, hoje completaria 100 anos de vida. Morreu em 1983, no mesmo ano em que eu nasci, por parada cardíaca, e morreu pobre como a pobreza que denunciava em seus sambas.

Considerado o maior compositor de sambas de São Paulo, escreveu composições que são famosas até hoje, como Saudosa Maloca e Trem das Onze, mas Adoniran era mais que isso. Por um motivo até hoje desconhecido, as pessoas preferem lembrar dos sambas mais tristes, mas eu prefiro lembrar dos sambas pra frente, em tom maior, com uma irreverência quase carioca.

16Jun/101

Aproveite você mesmo

(foto original de photo61guy)

Antes de começar o post de verdade, deixa eu criar o momento blogueiro-dando-desculpas-aos-seus-leitores. Pois é, faz quase 2 meses que não atualizo o blog. Aconteceram algumas coisas nesse meio tempo como 2 anos de vida do re'cordis, abri uma empresa de comunicação com mais dois amigos, e acho que uma leve depressão. Tudo isso me fez repensar algumas decisões que tinha tomado, mas acho que me encontrei.

Um tema que gostaria de ter falado faz tempo, estava lá, em algum rascunho antigo guardado no fundo do armário. Na verdade nunca consegui transformar isso em post. Talvez por ser muito íntimo, ou por ser difícil de escrever, mas depois que tentei "mais ou menos" explicar para uma amiga - e acho que deu certo - quero compartilhar com vocês. Trata-se da minha atual filosofia de vida.

Em um certo momento da minha vida, concluí que muitas coisas que gostaria de ter feito, eu não fiz. São coisas que acredito serem importantes, e isso cria uma lacuna, um vazio. Nunca viajei para fora do país, nunca me apaixonei à primeira vista, nunca virei a noite e fui direto para faculdade/trabalho. Minha lista "a fazer" é grande, mas acho que deu para entender, né?

Acho que todos conhecem aquela frase "Aproveite hoje como se fosse o último dia da sua vida". Ok, é um pouco exagerada, não levemos ao pé da letra, mas a essência da frase é bacana: intensidade. Minha filosofia de vida atual é ser mais intenso.

Imaginem-se crianças vendo um pote em cima do armário. Está tão alto, e você é tão pequeno que para chegar nele precisa empilhar cadeira em cima de mesa e fazer literalmente uma escalada. Mas a sua vontade de ver o que está dentro é grande, e você não mede as consequências, afinal, você é criança, ingênua, e tem curiosidade. No final das contas, a criança descobre o interior do pote, ou vai cair e quebrar a perna, mas por mais que tenha feijão velho lá dentro, hoje eu acredito que vale a pena subir.

O que quero dizer, é que amadurecemos e ficamos sem graça, velhos. Não é síndrome de Peter Pan ou algo do gênero, mas realmente andamos com 2 pés atrás em tudo. Se você tivesse a maturidade que tem hoje no corpo da criança do pote, eu diria que provavelmente não iria subir para ver o que tem lá dentro. Ia pensar em um monte de coisas e avaliar os riscos. Ia calcular que poderia quebrar a perna, que  a cadeira poderia tombar, que iria atrapalhar no emprego com o braço quebrado, que poderia não valer a pena.

Avaliar se poderia valer a pena é a maior besteira que já inventamos, pois só temos consciência disso depois de feito. E digo mais: grandes recompensas são conquistadas com grandes ações, e certamente com altos riscos. Você não vai ouvir "eu te amo" fazendo um cafuné na sua namorada. A sua recompensa pelo cafuné, vai ser um cafuné, ou algo assim. Tudo é  uma troca, e a intensidade das suas ações resultam na intensidade das reações. Acredito nisso.

Acredito que devemos aproveitar o momento. Aproveitar enquanto é jovem, aproveitar enquanto é velho, aproveitar enquanto pode. Ontem eu pisquei os olhos, e quando abri estava 5 anos mais velho. O tempo tem disso, e sei que muitas coisas que gostaria de fazer, só conseguirei fazer agora, enquanto não estou preso, sem raízes profundas. Viajar sem dinheiro para voltar, pode soar loucura, mas quero sentir o gosto disso, e não vou poder fazer em alguns anos.

A ideia não é lutar contra o tempo, afinal, temos suficiente para fazer tudo, ou quase tudo. Deixemos de ser medíocres - não tenha medo de abrir sua tão desejada empresa, mesmo que os fatores apontem para o fracasso, se tiver vontade de falar eu te amo no segundo encontro, fale, não guarde com você. Nem tudo dá certo, mas é preferível quebrar a perna do que frustrar o resto da vida tentando imaginar o que tinha naquele pote.

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13Apr/102

#smack!

Hoje é o dia do beijo! (grande merda)

Para comemorar esse dia, que com certeza é muito mais interessante do que o dia da árvore ou o índio, separei 2 fotos. Uma é mais mimimi para os românticos que vão lembrar da(o) namorada(o) hoje, e a outra é uma coisa mais animal (rs), para o pessoal selvagem.

Espero que gostem e que dêem algum beijo hoje, né? Nem que seja na mãe ou pai. Meu beijo foi na babi, minha dog (rs).

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1Feb/102

Sobre fidelidade canina

Primeiro, me desculpem pela imagem tosca (rs). Já sou ruim, e nunca tinha desenhado um cachorro antes. Depois de umas 4 horas e muitas tentativas deu essa m#@$% hahaha.

Bom, vamos direto ao ponto: esses tempos andei pesquisando bastante sobre nossos fiéis amigos, pois uma cadela que peguei na estrada resolveu "ter" 13 filhotes. Nessa leva, acabei lembrando de uma história muito boa, que comprova que essa ideia de que cão é o melhor amigo do homem é de milianos.

Foi contada no poema épico Odisséia, onde o protagonista Odisseu leva 10 anos para retornar à sua terra natal depois de lutar 10 anos na Guerra de Tróia, em resumo, são 20 anos afastado de casa.

Odisseu era o rei de Ítaca, mas resolveu retornar vestido de mendigo a fim de ver como as coisas ficaram enquanto estava longe. Quando entrou no hall do palácio, todos olharam o estranho mendigo, mas nada aconteceu. Foi quando de repente, Argos, o cachorro de Odisseu levantou de uma pilha de lixo onde estava agonizando sua morte há anos, corre até o pé do dono, abana o rabo e morre.

O cachorro foi o único que o reconheceu. Nem sua mulher, nem seus amigos. Morreu de felicidade, pois estava esperando esse momento, atrasando sua morte.

Lembrando que um cachorro na época nao passava de 10 anos de idade, e o Argos devia estar com quase 30 :]. Atualmente há uma polêmica envolvendo essa parte do conto. Alguns acreditam que Homero, escritor do poema, havia presenciado tal feito impossível para a ciência para poder escrever, não foi ficção.

Ficção ou não, é umas partes mais iradas da história, que é muito boa por sinal, só fica um pouco complicado de ler em forma de poema, além da tradução, que não tem como fazer milagre visto que  foi escrita mais de 1000 anos atras e em outra língua.

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21Jan/100

O futuro é o passado?

Primeiro post de 2010, e por coincidência, é o centésimo (100°) do blog. Isso me faz lembrar todas as besteiras que escrevi aqui e que tornam esse negócio de blogar tão divertido :]

Já tinha brincado com essa frase em um post aqui no blog, mas depois de ouvir um pouco sobre o que pode significar por outras pessoas, acho que vai virar um post bem legal:

Pense da seguinte forma - existem hoje quantos símbolos do passado no presente? Festa do Chaves com sanduíche de presunto? Discotecagem com apenas músicas dos anos 80? Alguém falou em All-star?

Por que a gente está puxando o passado para o presente?

A frase é tão boa que gera uma porrada de interpretações. Eu mesmo tinha achado uma resposta na revolução digital e o tempo, mas ainda assim, não era a resposta.

Todos temos consciência de que o mundo (entenda como dinheiro também), está cada dia mais difícil. São mais pessoas, menos trabalho, menos comida, menos terra, enfim, fudeu.

Nossos pais com certeza conseguiam enxergar e planejar o futuro com mais facilidade que nós. Uma coisa era se formar e sonhar em entrar em uma grande empresa, subir posições e terminar com algum cargo elevado. Hoje também é possível pensar assim, mas há inúmeras complicações, é como se o futuro fosse uma estrada, mas as novas gerações vão enfrentar neblina no caminho.

O futuro é cada vez mais incerto. Quando entrei na faculdade em 2003, a gente tinha entrevistas de emprego que ainda perguntavam como imaginava minha vida daqui a 15, 20, 30 anos. Os planos de marketing que as empresas faziam a cada ano, hoje são de 6 meses e olha lá.

Por causa dessa insegurança, a gente está puxando elementos do passado. É quase como um analgésico que alivia os sintomas, mas não resolve o problema.

É bacana pensar nisso no começo do ano, quando a galera está mais disposta a realizar sonhos. Quem sabe não diminui a neblina na estrada.

No 1° dia do ano, saiu a minha "sorte" no horóscopo, acho que vale pelo ano inteiro. Achei bem legal, tanto que recortei e colei no gabinete do computador pra me lembrar sempre que desanimar com meus sonhos. Como não acredito muito em horóscopo (mas sempre leio rs), vou transcrever, pois acho que se aplica para todos:

"Grandes perspectivas dependerão de grandes mudanças de pontos de vista também. Você quer muito, a vida está disposta a oferecer as chances para tanto, mas se você não fizer a sua parte, tudo ficará na teoria novamente"

É isso aí galëre, bom ano e bora arrepiar em 2010.

4Dec/0913

TOP 10 Filmes Animes

Esse é de longe o post mais demorado da história do blog! Demorei meses para poder escrever, mas finalmente posso dar a minha resposta a um post do site screenhead que causou polêmica entre os fãs de animes, animações, desenhos e Disney. O nome do post é "Top 10 Anime Movies that surpass Disney by lighy years", ou em bom português: Top 10 Filmes Animes que estão anos luz à frente da Disney.

Da lista do screenhead, faltava ver metade dos filmes, e foi isso que fiz, além de ter assistido novamente os que por ventura já tinha visto :]. O resultado final é uma nova lista TOP 10 baseada no post do site.

Antes de começar, gostaria de dizer que acho impossível essa comparação entre Disney (animações ocidentais) e Animes (animações japonesas). Pra começo de conversa são 2 culturas totalmente diferentes, sem falar que os japoneses são mutcho loucos (rs). As histórias da Disney são mais simples, tanto que conseguem ser acessíveis para uma criança de 8 anos ao mesmo tempo que fazem uma mulher de 50 anos chorar no final, já os animes made in japan são bem a cara da cultura deles, a simplicidade se funde com a sofisticação das histórias, e acredito que muitas vezes é trabalho impossível um ocidental compreender 100% um anime.

Deixa de polêmica e vamos a lista:

10 - Ghost in a Shell (1995)

É um dos mais famosos animes, e acho que está na minha lista de "animes difíceis de compreender para ocidentais", pois vi anos atrás e revi para poder escrever esse post e continuo não achando muita graça. Cyberpunk, androides e ficção científica, um clássico.

9 - 5cm por segundo (2007)

É a animação (aqui incluindo ocidental e oriental) que tem o visual mais espetacular que conheço. O formato é diferenciado da narrativa clássica americana que estamos acostumados, e além disso trata de coisas "banais" perto das histórias incríveis que estamos acostumados a ver em um filme, eu diria que a história é muito próxima de nossas vidas, mas o anime consegue a proeza de mostrar uma nova visão para o rotineiro. Eu particularmente ainda continuo adepto das histórias mais que incríveis, mas recomendo o 5cm só pela qualidade do desenho.

8 - Meu amigo Totoro (1988)

Outro clássico made in japan. Entrou na lista por uma coincidência: enquanto estava baixando e vendo os animes da lista, li um artigo na Time Out London que citava os 50 maiores filmes animados da história. Meu amigo Totoro está em primeiro lugar, e como nunca tinha visto resolvi por assistir. O filme cria um mundo imaginário e fantasioso, que na minha opinião formam os melhores animes.

7 - Afro Samurai (2007) e Afro Samurai Ressurection (2009)

São 2 filmes mesmo, ou na verdade quase isso, pois o 2007 são 5 episódios que quando juntos viram um filme (nem dá pra perceber a diferença rs). A história é centrada na cultura samurai do japão, em uma época que as pessoas decidem qual é o melhor lutador. Nesse mundo, há bandanas numeradas, sendo que somente a pessoa que veste a número 3 pode desafiar o número 2, e por aí vai.

É um anime bem violento com banhos de sangue, dublado por atores americanos como Samuel L. Jackson, e RAP como trilha sonora. Uma mistura bem diferente, mas acho que foi feliz :].

6 - Paprika (2006)

A história é sobre uma máquina que consegue visualizar sonhos, mas alguém toma posse da máquina e começa a invadir os sonhos de outras pessoas. No final, é criado um novo mundo estranho e surreal. É um filme com muitas reviravoltas e playbacks, então tem que assistir prestando bastante atenção para não se perder!

5 - Princesa Mononoke (1997)

Em uma aldeia isolada no japão feudal, um deus (no formato de um javali) entra em estado de fúria possuído pelo ódio de sua parte demoníaca, e começa a marchar contra a aldeia. Um rapaz defende a sua vila, mas é ferido no braço, e esse ferimento logo se transforma em uma maldição: ele tem os dias contados até morrer, e então parte sozinho em busca de cura. É uma epopéia em um mundo onde os deuses são os animais (lobos, javalis, etc), e a tensão com os humanos (modificando o meio ambiente).

4 - Akira (1988)

O pioneiro, o mais clássico, o que abriu as portas para a animação japonesa no mundo inteiro. Ficção científica, violência e uma história sofisticada. É um must see para qualquer um que goste de filmes.

3 - O Castelo Animado (2004)

Está no rol das aventuras que só um japonês poderia ter criado. Mundo imaginário e fantástico, trama, suspense. Vi no cinema e não me arrependi :]. A animação do castelo em si já é incrível.

2 - Tokyo Godfathers (2003)

A melhor contribuição do post polêmico do screenhead. Um filme que não conhecia, e valeu muito ter assistido. Conta a história de um bebê deixado no lixo durante o Natal em Tóquio e recolhido por 3 mendingos. A partir desse ponto, a vida de todos os personagens se junta, e eles vão mudando conforme os acontecimentos. Da minha lista é o que mais me surpreendeu e emocionou com uma história aparentemente boba.

1 - A Viagem de Chihiro (2001)

Uma viagem surreal, com personagens surreais, história surreal, enfim, um filme que só é possível porque Deus criou os japoneses malucos :]. Incrível do começo ao fim.

6Nov/095

Geração Ipod

Estava pensando em um nome para identificar a geração que nem tira mais os fones de ouvido, mesmo que precise conversar. Acabamos acostumando tanto, que em em curto espaço de tempo, passou a ser normal conversarmos com alguém com pelo menos 1 dos fones no ouvido (rs).

Geração Ipod parece um nome bem legal, mas para a minha surpresa, alguém já tinha pensado nisso antes (rs). Isso o que acontece quando não se lê todas as revistas sobre tecnologia. Bom, continuo com a minha meta de fundar um nome legal que será usado por outras pessoas.

Na realidade, o que quero tratar nesse post é sobre o traço, na minha opinião, mais marcante dessa geração, que é a individualidade, mas não somente isso, também solidão, eu diria que o assunto está entre esses 2. Acho que os fones de ouvido caracterizam bem tudo isso:

Acordo 7h da manhã e faço meu café. Como em casa, a única companheira é a televisão, que só ligo para isso. Antes de sair, coloco os fones e mp3. No elevador, cruzo com uma senhora que fala - Olá.  - Bom dia, retruco. Nada mais.

Passo pela guarita do prédio. O porteiro, que nunca soube o nome, me olha nos olhos. Não digo nada, apenas continuo. Caminho 2 quadras e chego à academia. Na recepção, há 2 recepcionistas. Não falo nada. Saco a carteira de aluno e passo na catraca. Faço o tal do alongamento enquanto espio as pessoas com a vertigem de imagens formadas por espelhos colocados em frente aos outros.Percebo o professor da musculação. Falo com ele a cada 3 meses para troca do meu treino, também não sei o nome dele. Divido o espaço com pelo menos 10 pessoas, tirando aquela menina que é a fim do professor, ninguém conversa com ninguém.

2 horas depois, estou pronto para ir trabalhar. Pego o carro, que fiz questão de colocar o insufilm mais forte que consegui (85%) e dirijo até o meu trabalho. Fecho as janelas, me tranco. Com excessão do vidro da frente, não há brechas na minha fortaleza. Tiro o fone de ouvido, ligo o rádio que tocam minhas mp3s. Durante o trajeto, há alguns moleques e vagabundos que vêm tentar limpar o vidro do meu carro. Depois de muitos anos de não, acho a maneira mais eficaz de fazer eles irem embora. Olho para a frente, para o infinito, finjo que não existe ninguém do lado de fora do meu carro tentando contato. Pronto.

Chego ao trabalho, passo por uma portaria, e na catraca uso meu cartão para liberar o acesso. O elevador sobe cheio, como em qualquer prédio comercial. Metade olha para o teto, a outra para o chão. Eu olho por entre as pessoas por meio do espelho no fundo do elevador. Vejo sombras, eu, e um fone de ouvido.

Entro no escritório, minha sala é a primeira. Hoje não estou com paciência para ouvir as pessoas, entro direto na sala e fecho a porta. A primeira providência é ligar o msn do trabalho e alternar nos primeiros 10 minutos offline e online, para meus chefes perceberem que já estou trabalhando.

Logo depois, entra meu assistente. Ele me cumprimenta com cara de sono e logo percebe que estou naqueles dias. - Abre o meu trânsito, tem um código que preciso que você limpe até o almoço. É a única coisa que falo, não tiro os fones de ouvido, nem pauso a música.

Quando chega 12h, o escritório começa a ficar agitado. Os grupinhos para o almoço são formados, e meu assistente vai com o pessoal de TI. Por msn, digo que preciso terminar um trabalho e não posso sair. Mentira. Quero ir almoçar mais rápido indo sozinho para sair mais cedo da labuta.

Quando todos já almoçaram, saio. Gosto de ir a um kilo que tem um corredor fino, onde sento na última mesa, sozinho. - Deu 12,58 mais 2,50 do refrigerante. Estendo o meu cartão.

De volta ao escritório, passo outro job para meu assistente, assim ele não me enche até o fim do dia. Não gosto dele, está na cara que não gosta de trabalhar, como qualquer estagiário. Escolhi mal, mas nunca parei para conversar com ele, aliás, nem lembro mais qual a faculdade que ele está estudando.

Saio do trabalho, pego o carro, vou para um curso de extensão que a empresa está pagando - é programação C#, enfadonho. Na minha classe só tem homem. Não conheço ninguém, não sei nem os nomes dos professores. Entro na classe, vou até o fundo e me sento. Anoto o blá blá blá sobre programação enquanto sonho que estou em casa fazendo outras coisas.

O professor avisa do  intervalo de 20 minutos. Por um momento, me sinto atraído por um grupo na classe que conversa sobre futebol. Ahh, preguiça. Desço até a lanchonete, onde leio meus emails e outras coisas da internet pelo meu celular.

A aula termina, tiro o fone, entro no carro, fecho as janelas, ligo a chave. Tenho a preocupação de não parar emparelhado janela com janela com outros carros no semáforo, é desconfortável.

Chego em casa, preparo meu jantar e como lendo um texto na internet. Levanto, tomo banho, deito na cama. Acabou o dia. Configuro o despertador para as 7h.

Esse foi um dia na vida de alguém da Geração Ipod, não sou eu ;-) . Evidentemente, exageradíssimo.

A questão é: você se identificou com alguns pontos do personagem? Eu me enquadro em alguns, como a preguiça de ouvir as pessoas alguns dias, cuidado para não emparelhar o carro no semáforo e a conversa burocrática nos elevadores.

Mesmo que dê no notíciario que as pessoas compram insufilm para aplicar nos carros por causa da violência, acredito que nao é somente isso. Tudo o que levantei na história, tem a ver com a nossa vontade de individualidade.

Depois de descrever o dia na vida desse infeliz, olhei por cima e percebi que a música está na maioria dos momentos. E isso é uma inversão de valor, pois a música sempre teve o intuito de reunir as pessoas, e não de individualizá-las. Às vezes sinto falta da época que você ia na casa dos amigos para ouvir música, quando discos não eram tão acessíveis.Lembra da última vez que trocou ou emprestou um CD de música para algum amigo?

Uma das coisas que aprendi viajando foi que o mundo fora do burburinho das grandes cidades ainda não é 100% digital. Você não consegue fazer as coisas sem ter de parar, conversar, pedir ajuda aos outros.

Essa é a grande diferença entre viajar como turista e como viajante. O turista compra um pacote fechado, e antes de viajar, recebe por email fotos e cronograma, horários, preços, tabelas, TUDO. Não há imprevistos, e não há deslumbramento ou estranhamento, o turista simplesmente segue o plano de viagem.

Geralmente, turista fica em hotel, e hotel nada mais é uma construção totalmente fora do contexto do resto da cidade (rs). Dentro do hotel, o turista não vai experimentar as comidas da região, pois o chef fez faculdade em São Paulo e alguns cursos na frança. Não vai conhecer pessoas da região, pois no hotel só tem turista, não vai aprender nada de novo, e pior, quase não vai ter contato com a cultura que escolheu como destino de viagem.

O viajante, não necessariamente precisa andar com uma mochila gigante nas costas, mas esse confia nas pessoas. Chega ao local e pergunta onde que dá para dormir, e talvez com sorte, recebe um convite para dormir na casa de algum nativo, jantar com sua família, comer prato típico, ouvir histórias, aprender a sua cultura.

Pedir ajuda para alguém é também um ato de confiança, e de humildade. O seu celular não vai resolver sua fome em uma praia de pescadores longe de tudo, é bem por aí.

Não precisa ir muito longe, afastado de tudo para sentir a diferença na atitude das pessoas. Das 2x que fui ao Paraná senti um contraste gritante nas gentilezas, e mesmo em São Paulo, é só sair da cidade e cair em uma praia que não foi invadida por cimento e carros.

Fato: cada vez vão menos pessoas nas festas de aniversário, é muito mais fácil dar parabéns pelo orkut.

Enfim, acho que isso rende um muro de texto, e não é muito conveniente para ler pela internet. Caminhamos para um mundo totalmente virtual, e cada vez acho mais escroto. Então da próxima vez que for enviar um parabéns pelo aniversário de algum amigo pelo orkut, tente sair de casa, ir até ele e dar um abraço, bom, pelo menos um telefonema ;-) .

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14Oct/094

Mudanças

Há um tempo atrás comprei uma planta. Na loja, estava em uma espécie de atrium recebendo a luz do Sol de cima. Escolhi uma planta que me lembrou a lótus de 1000 pétalas, que é a imagem vista quando chega em um estado X da meditação ;-) . Não, eu nunca cheguei nesse estado (rs).

Como moro em apartamento, acabei colocando a bendita cuja no banheiro ao lado de uma janelinha para pegar um pouco de Sol. Depois de uns dias notei que a planta tinha se mexido em direção à luz. Imagine essa lótus acima crescendo pra cima, ganhando altura e depois se curvando para um lado (rs). Não contente, inverti ela de lugar. Deu alguns dias e ela se entortou toda para receber na parte de cima das folhas a luz do Sol.

Isso me fez refletir sobre as mudanças em nossa vida. Como na planta, que teve que se adaptar quando o meio em que vive foi modificado, acredito que a gente tem que mudar todo dia, sempre. Talvez as nossas mudanças não sejam tão radicais que foi para a planta, mas sim, nos modificamos diariamente.

Lembro de ter lido uma vez, um conto sobre um velho que tinha como hobby plantar árvores, porém ele não as regava. Dessa forma, nenhum vestígio de planta subia do solo seco.

Os meses foram se passando e ele semeava o mesmo solo, mas não regava as sementes com água. Até que um dia, uma das sementes venceu e começou a crescer, rompendo o solo seco em direção ao Sol.

Um menino que via tudo isso da casa ao lado, incrédulo, resolveu perguntar a razão dele não regar as suas plantas. A resposta do velho foi que dar água assim, fácil, ia criar um jardim de plantas fracas, que não iriam aguentar mudanças graves. E complementou: -essa que está crescendo, não recebeu água de mim. Ela foi buscar com suas raízes, esticando-as mais que todas as outras, e chegou tão fundo que encontrou água para sobreviver. Essa planta tem raízes muito profundas, e nada vai derrubá-la tão facilmente.

Depois de centenas de anos pelas mãos dos agricultores, as sementes foram condicionadas a não precisarem mais esticar profundamente suas raízes. Como no conto do velho, demorou até encontrar a semente que foi o ponto de partida para a mudança. E desta planta, nascerão outras, mais fortes e adaptadas ao solo seco do jardim do velho.

Pense da seguinte forma: quantas vezes você já mudou de ideia a respeito de alguma coisa? A coisa pode ser em relação à relacionamentos, comida, trabalho, tudo (rs).

Eu já mudei demais, especialmente os pré-conceitos que a gente aprende na escola. O mundo gira em uma velocidade estonteante. O que é importante hoje, pode não ser amanhã, ou no próximo final de semana.

Para ser sincero, faz uns anos que ando passando por uma mudança radical, não só em conceitos, mas em valores, que com certeza são mais profundos e difíceis de serem modificados.

O que mais me motivou a mudar, foram ações que não tenho controle. São como nos casos das plantas que contei acima. Eu simplesmente tive que mudar.

Às vezes presto atenção nos mais velhos, e vejo que muitos pararam no tempo. Usando um exemplo, podemos lembrar do computador e internet. É um bicho de 7 cabeças para os velhinhos, e olha que eles são de certa forma obrigados a usar, pois tudo hoje depende dele. Trabalho, imposto de renda, bancos, investimentos, tudo.

Olho mais fundo e percebo que há um orgulho besta por trás dos velhinhos. Eles não querem mais mudar, estão cansados de uma vida de mudanças. Conheço um velho que está esperando o mundo se adaptar a ele (rs).

Da minha reflexão, acho que o mais interessante é estar aberto às mudanças. São elas que nos levam para cima, ou nos afundam em crises, mas são elas que dá sentido à vida. Sem isso, acho que metade aqui já teria morrido de tédio antes dos 20 anos (rs).

"Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar" (Paulinho da Viola)

Só por favor não interpretem isso como destino. Acredito que o destino quem faz somos nózes ;-) .

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11Oct/097

TOP 11 brinquedos anos 80

Em homenagem ao dia das crianças, criei uma lista dos 11 brinquedos mais incríveis dos anos 80, ou seja, na minha infância. A lista não segue critérios, portanto é totalmente subjetiva.

11° AQUAPLAY

Era febre na minha infância. Tinha todos os modelos possíveis, desde do aquaplay da disney até do rambo! Eu tinha o tradicional com as cestas de basquete e sempre entortava o brinquedo pra ganhar (rs).

10° PULA PIRATA

Era engraçado e no começo eu levava uns sustos hehehe.

9° POGOBOL

Brinquei tanto com isso que o meu pogobol tinha mais remendo do que boléia de caminhão.

8° FERRORAMA

É um clássico de qualquer criança. Quando ganhei, não fui tão feliz porque tinha escolhido outra coisa de Natal. Foi o típico presente que o pai compra para ELE brincar (rs).

7° KIT ALQUIMISTA (GRANDE LABORATÓRIO DE QUÍMICA EXPERIMENTAL)

Adorava, mas não tinha. Brincava na casa dos meus tios.


6° SR. CARA DE BATATA

Não sei o motivo, mas gostava disso (rs).


5° AMBULÂNCIA DO DR. SARA TUDO

Chorei desesperadamente 1 ano para ganhar !! Incrível.

4° CASTELO DO HE-MAN

Dava para armar algumas armadilhas dentro do castelo. Um dos melhores brinquedos da história.

3° MURFY

Eu não lembro direito se tinha o Murfy cowboy ou o boxeador. Adorava apertar a barriga dele pra fazer o boneco arrotar (rs).

2° TREM MOVIDO À MANIVELA

Acho que até hoje minha casa tem as marcas desse brinquedo. Infelizmente não sei o nome do brinquedo, e além disso, o meu era diferente da foto. O meu trem tinha uma tampa preta, que funcionava como banco e porta-bagagem, e eu sentava em cima disso, mexia na manivela e andava. Nem precisava do trilho.

1° LEGO

Dispensa comentários, né?


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25Sep/093

Quando mais é menos

Esse post é inédito no re'cordis por 2 motivos: é o 1o post que não fui eu que escrevi, e pelo fato de não ter imagem para ilustrar.

Hoje li um texto bem legal do Nelson Motta no Estado de S.Paulo. Depois de ter lido, relido, e relido novamente, fiquei com a incômoda sensação de concordar com tudo o que foi escrito. Talvez até tivesse escrito o que foi escrito, se ele não tivesse pensado primeiro (rs).

Enfim, leiam, pois vale a pena ;-) .
(apesar de ter lido no Estado, retirei o texto pelo Globo na internet)

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Quando mais é menos

Com todo o poder, dinheiro, independência e liberdade que conquistaram nas últimas décadas, as mulheres estão se sentindo menos felizes agora do que nos anos 60. Cinco pesquisas mundiais diferentes revelaram os mesmos e tenebrosos resultados: independentemente de classe social, estado civil, de ter filhos ou não, em todos os lugares, as mulheres estão se sentindo cada vez menos felizes. E os homens, mais. Será que a revolução feminista acabou beneficiando mais os homens do que as mulheres?, sibila Maureen Dowd, minha víbora favorita, no "New York Times".

As mulheres vão se sentindo menos felizes à medida que vão envelhecendo, enquanto com os homens acontece o contrário. Elas começam a vida mais felizes do que eles, e terminam menos. Sob a ditadura da boa aparência, o peso da casa, de marido e filhos, e agora da competência profissional e da carreira, elas sofrem mais a ação do tempo. Na América obcecada por beleza e juventude as Barbies Frankenstein se multiplicam.

As pesquisas revelam também que a menor contribuição para a felicidade das mulheres vem dos filhos. Algumas, poucas, já admitem que seria melhor não ter tido filhos, ou que foram eles os destruidores de sua felicidade.

O principal motivo da felicidade dos homens é a prosperidade, pré-crise, é claro. E o alívio nas contas, porque as mulheres passaram a participar mais do orçamento familiar. Cada vez menos mulheres são dependentes de homens, e eles acham ótimo. E embora hoje os homens ajudem mais nos trabalhos da casa e com os filhos, isto não as fez mais felizes. Elas passaram a trabalhar tanto, a fazer tanto, que têm cada vez menos tempo para sua especialidade: sentir.

Para competir no mundo corporativo masculino, as mulheres se exigem mais, são mais rigorosas com os outros e com elas mesmas do que os homens, são mais passionais e estressadas do que eles. As pós-feministas reconhecem a insatisfação feminina e tentam explicá-la como um paradoxo: é justamente esta recém-conquistada abundância de liberdade de escolhas que as faz menos felizes. Mais liberdade, menos felicidade. Afinal, o que querem as mulheres?

Nelson Motta

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16Sep/093

Dia mundial sem carro

Próxima terça-feira, dia 22 de setembro é o dia mundial sem carro. Pelo terceiro ano consecutivo vou deixar a caranga na garagem e usar o transporte coletivo para chegar onde preciso ;-) .

Vamos ver, terça tenho que fazer a heróica missão de estar às 19h no SENAC LAPA, ou seja, no fim do mundo em pleno rush. Vou pegar metrô da paraíso até barra funda, e depois trem até a lapa.

Por mais que o transporte público seja péssimo, é só um dia, não custa nada participar. No final das contas, é só um lembrete que os carros não são o nosso futuro como meio de transporte na cidade.

Quem gosta de pedalar, sugiro ir em um dos muitos passeios de bike comemorativos que vai rolar em sampa. Infelizmente neste ano só poderei participar deixando o carro, mas de qualquer maneira tem até uma programação completíssima que começa já amanhã (quinta).

3Sep/095

Videolocadora não é programa de índio

Às vezes é engraçado lembrar de como as coisas eram antigamente. Lembro que minha mãe comprou um videocassete da Gradiente, na época, era um dos melhores aparelhos do mercado com uma super velocidade para rebobinar de 4x (rs).

Não esqueço da emoção que foi entrar em uma locadora, umas das pouquíssimas que existiam, e escolher entre tantos filmes incríveis - digo, porque na TV aberta, só passava merda, né?

O filme escolhido para a grande estréia foi E.T, o extraterrestre, um clássico de 1982 devidamente transformado em fita VHS. Para melhorar ainda mais, chamei os amigos e fizemos uma pipoca - na panela - porque ainda não existia microondas ;-) .

Por que estou falando disso? - Essa semana li um artigo no LINK, do Estadão, falando sobre a eminente extinção das videolocadoras físicas. Com a internet, a tendência é que baixemos os filmes em versão digital, o que seria mais rápido, seguro, prático e barato.

Acredito que daqui a algum tempo, videolocadoras físicas serão um nicho de mercado tão pequeno como as lojas que vendem discos de vinil. Não é mais somente alugar um filme. As pessoas irão para passear, relembrar filmes antigos ou para conversar com o dono da locadora.

O intuito deste post não é discutir o que vai acontecer, mas recordar um pouco desse nobre passeio que é ir sábado à noite na locadora (rs).

Não sei vocês, mas acho extremamente sem graça assistir a um filme no monitor do computador. Mesmo quando baixo pela internet, acabo gravando em um DVD-RW e assistindo na TV, esparramado pelo sofá e acompanhado de algum quitute, como pipoca.

O que acho mais legal de ir a uma locadora, é a quantidade de filmes para escolher. Gosto da ideia de visualizar -e poder pegar- na capa do filme, ler a sinopse, discutir com o dono da locadora (rs). Sempre que vou fico pelo menos 1/2 hora escolhendo um filme.

Tem dia que estou a fim é de ver um clássico, então nem olho para a seção de lançamentos. Tem dia que depois de tanto procurar, acabo cedendo às dicas do pessoal da locadora. Existe coisa mais frustante do que ir seco para alugar aquele filme e chegando lá você descobre que todas as cópias estão locadas?

Quando chegar o dia em que não houver mais a locadora na esquina da minha casa, vou sentir saudades dessas coisas!

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20Jul/095

Aos meus amigos

20 de julho é o dia do amigo. Uma data que erra no nome, pois não há amizade no singular, mas celebra algo vital para a nossa existência, a amizade.

Segundo a nada confiável wikipedia, a data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo. Assim, durante um ano, o argentino divulgou o lema "Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro".

Para comemorar, algumas histórias de amizade que sempre conto - quando consigo me lembrar (rs):

Que li em algum site totalmente perdido na internet
Durante a 2a Guerra Mundial, um pelotão norte-americano foi emboscado pelos japoneses. O ataque foi tão fulminante, que a ordem do comandante americano foi abandonar a posição, e todos que puderam, o fizeram. Porém, um soldado americano estava à beira da morte por causa da explosão de uma granada. Seu melhor amigo que também estava no pelotão preferiu ficar com ele até a sua hora chegar.

Quando os japoneses chegaram, viram os 2 amigos e os fizeram reféns. O soldado ferido morreu minutos depois, e o seu amigo foi considerado refém especial por ordem do comandante japonês. Segundo o comandante, não há nada mais honroso do que a amizade, e o libertou dias depois.

No final de algum filme de surf
Uma galera treinava e surfava junto lá pelos cantos da Indonésia. Em um certo dia, o mar estava enorme e revolto, e só conseguiam pegar onda os surfistas rebocados por jet ski. Um dos personagens (era o careca rs) falou que ia pegar no braço, e assim fez, mas a onda o derrubou no final e ele sumiu.

Os seus amigos choram a perda, e na volta para casa de avião, um dos personagens é abordado por uma mulher que pergunta por que ele está sorrindo. Ele responde com a seguinte pergunta: "você não tem um amigo que só de lembrar dele já te faz sorrir?".

Assisti em algum telejornal
Em São Paulo, um morador de rua, daqueles que vivem puxando o carrinho carregado de coisas e acompanhado por seu cachorro sofre um ataque cardíaco quando estava no canteiro de  uma grande avenida. No desespero da dor, ele caminha até o meio da via agonizando e cai, amparado somente por seu cachorro. Os carros dão a volta no corpo e continuam.

Quando chegam os bombeiros, o morador de rua já estava morto, mas seu cachorro não deixava a equipe de resgate chegar perto. A TV filmou essa cena incrível. Dezenas de homens para conter um cachorro que estava protegendo seu amigo.

E não deixem de ler esse texto aqui no Papodehomem que é um dos melhores que já li sobre amizade.

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19Jun/092

O que você faz da vida?

Qual é a sua resposta?

Cordialmente, a gente responde a profissão ou o trabalho que exerce. O médico fala que é médico, o estudante estuda, o político diz que trabalha para a população, e o desempregado responde que é autônomo (rs).

Sei que não é um tema novo, e pra ser sincero, já foi bem discutido, mas é algo que me fez pensar bastante. Mesmo assim, não tenho uma conclusão para tal barbárie contra as nossas vidas. De tempos em tempos essa pergunta volta a rondar meus pensamentos, e a culpada dessa vez foi uma amiga em seu ótimo texto Você é o que trabalha?.

Sou publicitário, e mesmo adorando trabalhar com isso, é medíocre e pequeno afirmar que faço isso da vida. OK, temos o lado que passamos mais tempo trabalhando do que com a família e amigos, mas o trabalho não é a essência minha vida, e acredito que de mais ninguém.

Lembro  de ter lido um texto que o escritor sugeriu do pessoal responder de outras formas, como "sou feliz", "tudo", "sou rockstar", entre outras.

Podemos ainda levar em conta a geração Yeppie (Young Experimental Perfection Seekers, ou jovens em busca da experiência perfeita). Imagine que essa geração é filha dos yuppies dos anos 80 e foi criada (ou abandonada) debaixo de sua filosofia de trabalhar pesado para se tornar milionário. Esse quadro social tornou as pessoas escravas do trabalho e do dinheiro, e, também como muitas empresas, gananciosas além do limite ético. Na década de 70, para se ter uma idéia, quase não existia algo como um workaholic. Hoje em dia, muitos dos pais de integrantes da geração atual, mesmo tendo uma poupança muito maior do que conseguirão gastar ao longo da vida, continuam colocando o trabalho em primeiro lugar.

Por ter sido abandonada e ter como rivais o emprego dos pais e os bens de capital, essa geração não consegue ver o valor no acúmulo do dinheiro e, acima de tudo, no trabalho obstinado e cego em sua busca, e começa a perceber que a vida dos profissionais “bem-sucedidos”, apesar de bastante confortável, é vazia de significado.

Já falei disso aqui no blog anteriormente. Mas agora isso tem nome e e está mais explicado :) . Os trechos foram retirados de uma entrevista do Luli. Leia aqui - acho que vale a leitura.

Como disse, não consigo concluir esse assunto, mas tenho a certeza que a gente não responde certo. Afinal, o que é a vida? :O
(Ler isso na sexta-feira é sacanagem, hein?)

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5Jun/094

Estamos dividindo certo?

Se procurar pela tag LIFE no flickr, vai achar essa foto. Se perguntássemos para 100 pessoas qual o sentido de vida nessa imagem, poderíamos ter 100 respostas. Para mim, a vida está em nós, no mar bravio, na areia seca e toda a natureza, que nos inclui também :-) .

É engraçado que temos o péssimo hábito de nos separar do resto da natureza, tanto que até existem movimentos como "homens em prol da natureza", como se não fossem ligados. Qual o problema de nos associar a tudo que conduz vida no planeta?

Sabia que o chimpanzé é animal mais próximo do animal ser humano? Achou estranho ser associado como animal? E se pedir para você pensar em: o ser humano é o animal mais próximo do chimpanzé?

Quando olho essa foto, penso se estamos dividindo da forma certa. Explico: para existir vida, essencialmente há de ter um ambiente propício para isso. O mar é ambiente de animais marinhos, terra, terrestres. Até na porra do céu tem vida (rs).

Independente da evolução do ser humano, a nossa concepção tem a ver com outros animais e o meio que dividimos nossas vidas. Nossas vidas são ligadas, e dependentes umas das outras. Não faz sentido mandar e desmandar na única herança que temos do planeta.

Nada mais racional do que afirmar que dependemos mais dos outros animais e do nosso ambiente comum do que de nós mesmos. Não sou ecochato, nunca fui ao forum social mundial, nem sou politicamente ativo, porém, sou sensato.

A propósito, hoje é dia mundial do meio ambiente e também comemoramos no país o dia da ecologia.

27Apr/092

A origem de algumas palavras

O nome que se dá para a ciência que estuda a origem das palavras chama etimologia. Apesar de parecer coisa de PhD, é bem simples, e tem casos bastante curiosos.

O primeiro que destaco é a palavra que deu nome ao blog: re'cordis, que é recordar em latim, e significa voltar a passar pelo coração, ou como prefiro interpretar: é a nossa memória viva.

Outras palavras, aprendi no mais adequado ambiente para tal assunto, a mesa de um bar :-) . Vou compartilhar no blog, e espero que gostem !

Galera: vem de galera, um tipo de embarcação antiga usada pelos povos do mediterrâneo. São caracterizadas pela infinidade de remadores que davam propulsão no mar. A imagem abaixo é uma galera romana, que segundo consta, tinha como motor escravos de guerra, que eram devidamente açoitados para remarem !

Em tempo: você que chama carinhosamente seus amigos de "galera", saiba que o termo surgiu de algo um pouco diferente (rs).

Mulata: Vem de mula, o cruzamento entre jumento (negro) e égua (branco). Sim, é bem preconceituoso.

Enfezar: significa literalmente "a coisa ficou preta". Vem de outra bela palavra - fezes. É uma das palavras mais contraditórias da nossa língua portuguesa por ser usada de formas que se opõe. Ora se refere a algo negativo, ora positivo. Não importa o sentido, é duplamente aceito em qualquer texto, pode provar por aí !

Saudade: uma palavra que só existe na língua portuguesa. Sua origem é polêmica, portanto, aposte em uma das teses: Teria vindo assim de "soledade", solidão. Também foi levantada a hipótese de vir de "salutate", uma saudação bastante usada nas despedidas das cartas romanas. Até a influência de "saúde" já foi aventada. A dificuldade de explicar a mudança fonética de saudade pode ter sua origem no árabe "saudá", profunda tristeza. A outra hipótese (meio fantasiosa) é ter derivado de "Ceudda", forma bérbere de dizer Ceuta, fortaleza distante onde os soldados passavam longo tempo ausentes da terra natal. Retirado daqui.

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13Apr/091

Malandragem dá um tempo: Lei de Gérson

De Macunaíma, o antiheroi sem caráter de Mário de Andrade, passando por Zé Carioca e a Lei de Gérson: afinal, somos mesmo malandros? Essa questão foi respondida de várias formas. Intelectuais, sociólogos, políticos, formadores de opinião, todos deram sua contribuição para o que parece ser irrespondível.

Dentre as respostas, uma das mais plausíveis que já li foi uma que saiu na revista Época, que falava sobre a "...necessidade de uma nova definição do que era ser brasileiro, tema pulsante na década de 20, quando os imigrantes contribuíam para um novo perfil de nação. A convicção era de que a mão-de-obra importada era muito melhor que a nacional. Alguns estudiosos defendiam que dos escravos havíamos herdado o horror ao trabalho e dos índios um talento especial para a preguiça. É desse cenário que surge a compreensão da força da malandragem, uma espécie de contraponto ao exército de trabalhadores dedicados e produtivos, que primeiro a agricultura e depois a indústria tanto necessitaram para competir no mercado internacional. Os malandros passaram a fazer parte do imaginário de um país de alma escravista como uma espécie de resistência ao modelo europeu cheio de regras."

De toda essa herança social, chegamos finalmente ao ano de 1976, quando a publicidade usa um grande jogador de futebol para brilhar no anúncio do cigarro Vila Rica:

Gérson de Oliveira Nunes foi apenas o garoto-propaganda, mas acabou virando mais que isso depois da campanha. Em tempo: o jogador afirmava no comercial para TV: "É gostoso, suave e não irrita a garganta", "Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro?" e Gosto de levar vantagem em tudo, certo?".

No final das contas, poderia ter passado batido, mas não foi o que aconteceu. Como se tivesse acertado em uma ferida não cicatrizada da sociedade, essa campanha foi satirizada, e seu garoto-propaganda crucificado. A Lei de Gérson estava criada. Na época, virou piada, e sempre que acontecia alguma situação digna de "malandragem", as pessoas lembravam da lei, que basicamente era levar vantagem em tudo, mesmo que isso não seja ético.

Como sabemos, é comum a publicidade utilizar-se de figuras públicas, como jogadores de futebol, e -principalmente- de traços sociais em determinada sociedade. É por isso que a publicidade é regional. Quem criou o conceito da campanha do Vila Rica, sacou que somos malandros mesmo (rs).

De todas as reações, a gente escolheu ironizar, um traço comum do brasileiro, o que alguns afirmam ser pura criatividade.  De qualquer forma, a reação foi negativa, e isso é importante.

Bom, no segundo episódio dessa discussão (primeira parte aqui), já vimos que não queremos ser malandros. Falta então, atitude para mudar. Pretendo escrever um último post sobre isso finalizando o assunto.

PS: O jogador, posteriormente, afirmou publicamente ter se arrependido de ter participado da campanha

Vídeo do comercial:

25Mar/093

Malandragem dá um tempo: Walt Disney no Rio

Dizem que quando Walt Disney veio ao Brasil em 1941, mais especificamente no Rio de Janeiro, conheceu muitos pontos turísticos da cidade. A razão da pesquisa era a produção de 2 filmes inspirados na cultura brasileira, e que serviriam para "unir" os países contra o "eixo", esforço de guerra. Apesar de toda a teoria da conspiração aqui, o que importa da visita do artista no país é sua visita ao Pão-de-açucar:

Depois de dias turistando pela cidade maravilhosa, Walt Disney resolve conhecer o Pão-de-açucar. Para felicidade das crianças, dessa vez ele vai sem a equipe de produção, o que acarreta em uma das situações mais ridículas e caricatas do Brasil sil sil: tentaram vender o Pão-de-açucar para o gringo ! (rss)

Tentem imaginar a oferta! -Para você, que é um gringo do bem, ofereco todas essas montanhas por apenas R$ 99,99 réis (moeda vigente em 1941). Que absurdo !

Desse caso, surgiu um dos principais personagens Disney, o Zé Carioca, que mais tarde iria estrear os filmes Salutos Amigos (Alô Amigos) em 1943 e The Three Caballeros (Você já foi à Bahia?) em 1944.

O personagem Zé Carioca é um papagaio, que vive fugindo dos cobradores, pois deve dinheiro e não consegue pagar (acho que essa situação é comum até hoje, né?).  Ele sempre carrega consigo um guarda-chuva e um chapéu-panamá, que são parte do "malandro clássico" do Rio de Janeiro, como diz a letra de Wilson Batista: "Meu chapéu do lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio" -  Evidentemente, a navalha foi trocada pelo guarda-chuva :-) .

O que acho mais fantástico de tudo isso, foi a capacidade do Walt Disney de em tão pouco tempo, sacar o malandro esteriótipo carioca, e depois personificar de modo que até um ser que mora no Acre (Acre existe?) se identificar com o Zé Carioca.

Podemos lembrar um dos maiores historiadores do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda - sim, pai do Chico (rs) - demorou anos e anos a fio para resultar em o que ele chamou de "cordialidade brasileira", que se liga ao famoso jeitinho brasileiro, coisa que o gringo sacou em 3 dias. Sérgio ainda identificou muitos outros aspectos importantes do brasileiro, mas um que vale a pena sair um pouco do assunto e ser citado, é que por causa da cordialidade brasileira, o país está estagnado nos ambientes político e social, sem chances de mudar. A "mudança", segundo ele, deve vir de dentro do país, em outras palavras, do brasileiro. O país não cresce porque o brasileiro não quer, já dizia um velho amigo.

Poxa, quer dizer que a gente está na merda porque somos malandros? Muitos acreditam que sim.

Na minha opinião, acho que se realmente a gente estivesse determinado a mudar o país, a gente conseguiria. O problema é quem de fato se mexe e faz alguma coisa é 0.1% da população. Se todo político que roubasse e não fosse preso, o povo saísse em peso nas ruas pra colocar ele pessoalmente atrás das grades, a malandragem na política estaria resolvida, e nunca mais teríamos que ver aquelas piadas mais-que-chatas de políticos ladrões.

Próximo post continuo a história sem fim da malandragem no Brasil.

2Mar/094

O melhor perfume que conheço

Ok, admito que esse post não é tão macho como o mantenedor do blog (eita palavra bonita), mas é algo que estou pensando desde ontem à noite, e resolvi compartilhar essa pequena reflexão emo.

Dizem que temos uma espécie de memória olfativa. Algumas pessoas possuem mais desenvolvida outras menos, é como a tal da inteligência espacial - eu, por exemplo, viro 2x à direita com carro e já estou perdido (rs). Acredito que na questão do olfato, tenho uma boa memória e o privilégio de sentir aromas e perfumes delicados.

Ontem, dando um trato na máscara de mergulho nova, que foi usada no carnaval, senti o perfume do mar, mais especificamente de São Sebastião (foto), onde passei muitos verões quando era criança.

O mais interessante é que não é o perfume de mar, é de São Sebastião, e é muito bom para mim. Talvez por lembrar da infância, não sei. Quando for um tremendo ricaço, vou encomendar o perfume.

Gostaria muito de compartilhar esse perfume aqui no blog, mas a internet ainda não chegou nesse ponto :-) (rs).

Por hora, espero que a ciência esteja errada ao afirmar que o olfato será darwinicamente atrofiado nos seres humanos em pouco tempo, tese que tenta justificar porque algumas pessoas não conseguem sentir um aroma mais delicado, como de uma flor.

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13Jan/0912

Caráter, uma bela frase e o homem

porco-piscina

Tenho um amigo que diz que a sociedade é dividida em 2 partes: a primeira, são as pessoas que decoram muitas frases de famosos, filósofos e do Ghandi (rs). Já a outra parte, são pessoas que não têm muitas frases, como eu. De qualquer modo, guardo algumas boas frases na lembrança. Uma em especial, se refere ao caráter de um homem, e foi proferida por um filósofo que não me recordo seu nome. A frase então, só lembro a essência: o verdadeiro caráter de um homem somente se mostra em uma situação crítica.

Essa frase é uma constante nas minhas reflexões, pois até hoje não consegui resolver. Na realidade, não sei como reagiria a uma situação dessas. Às vezes imagino situações como a do rapaz que estava voltando do trabalho pela Marginal Tietê em um dia chuvoso quando viu uma criança no rio. Então parou o carro na grama e se jogou na água para então resgatar a criança. Lembrando que o Tietê é não é um riacho rs, e o risco de morte ao atravessar ou nadar nele é altíssimo, ainda mais em dias de chuva.

O que você teria feito se fosse o rapaz? Qual é o seu caráter? -Não consigo responder essa pergunta. Talvez tivesse ligado para o bombeiro, não sei. Só saberei quando passar por uma situação dessas - é somente nessas horas que o verdadeiro caráter de um homem aparece.

Imagine então outras situações críticas, como uma guerra, onde você deve atravessar um campo minado com tiros de todos os lados para resgatar um amigo que perdeu a perna, ou até mesmo um pai que abdica do seu tempo e saúde trabalhando em 2, 3 empregos para pagar a educação da filha. Se oferecem 10 milhões de reais para matar uma pessoa, você faria?

Segundo a definição da Wikipédia, caráter é o termo que designa o aspecto da personalidade responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo; esta qualidade, é inerente somente à uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais.

A fonte ainda diz que caráter é, em definição mais simples, sinônimo de índole, termo usado de forma infeliz para justificar a pena de morte e outras punições. O problema é que o termo atende por um significado mais amplo que o do dicionário (temperamento, comportamento). As pessoas acreditam que todos nascem com índoles, que podem ser boas ou ruins. Um assassino então teria uma índole ruim, e dessa forma não é possível mudar seu comportamento. Quando penso nisso, logo o meu lado racional me cutuca. Não é possível que um bebe com 1 mês de vida já tem o seu comportamento definido rs. Alguns defendem que o comportamento da pessoa é formada nos primeiros anos de idade - concordo em parte, mas acredito que um idoso de 60 anos pode mudar - se quiser. Eu e minha careca também somos prova de que é possível rs.

A questão da índole ser imutável atinge a sociedade como um todo. Sabe aquelas coisas de que o brasileiro é acomodado, malandro e deixa tudo para última hora? É um traço do nosso caráter coletivo que se mostrou décadas atrás, porém continuamos ouvindo reproduzindo e justificando nossos atos embasados nessas características. Precisamos compreender que as mudanças a nossa volta, é obra da gente, e não de algo pré-definido, predestinado. Se você deu 1 volta ao mundo a pé, foi graças ao seu esforço, e não graças a Deus. Enquanto continuarmos com essa atitude, serão poucas as chances de mudar.

Essa questão do caráter, pode também ser aplicada na metáfora das máscaras de uma pessoa. Não dizem que em cada situação usamos uma máscara para nos proteger? No trabalho você usa uma máscara de pessoa pró-ativa (urgh, odeio essa palavra), com os amigos põe a da pessoa brincalhona, e por aí vai. No final das contas, sortudo é o que consegue enxergar a si próprio no espelho. O Lash uma vez me contou que para descobrir quem você é de verdade, basta imaginar alguma situação que viveste. Quando fizer isso, imagine-se como um observador do momento, esse então é você :-)

E, misturando a idéia das máscaras, com a teoria do ponto de observação (uma ação tem diferentes pontos de interpretação: 1. quem fez; 2. quem recebeu; 3. amigos, família, conhecidos; 4. observador de fora), podemos chegar próximo do caráter de alguém somando a visão do seu círculo com a visão de fora do observador. É como um funeral, quando as pessoas tecem comentários sobre o morto: "ele era um bom homem" ou "era corajoso". Acho que devíamos incentivar esses comentários antes das pessoas morrerem rs. Aposto que salvaria vidas! Como dizia Nelson Cavaquinho, se quiser falar de mim, que o faça agora. Me dê as flores em vida, o carinho, a mão amiga, para aliviar meus zais. Depois que eu me chamar saudade, não preciso de vaidade, quero preces e nada mais.

Gostaria de um dia conhecer o meu verdadeiro caráter, e até lá, nada me impede de lutar pelo o que acredito!
Afinal, o sofrimento é passageiro. Desistir é para sempre (frase que li no vidro de um jipe rs)