Adoniran não é só Saudosa Maloca e Trem das Onze
Se o Adoniran estivesse vivo, hoje completaria 100 anos de vida. Morreu em 1983, no mesmo ano em que eu nasci, por parada cardíaca, e morreu pobre como a pobreza que denunciava em seus sambas.
Considerado o maior compositor de sambas de São Paulo, escreveu composições que são famosas até hoje, como Saudosa Maloca e Trem das Onze, mas Adoniran era mais que isso. Por um motivo até hoje desconhecido, as pessoas preferem lembrar dos sambas mais tristes, mas eu prefiro lembrar dos sambas pra frente, em tom maior, com uma irreverência quase carioca.
A polêmica: emblema da Copa de 2014

Foi apresentado hoje o emblema oficial para a próxima Copa do Mundo, que será realizada no Brasil em 2014. Em uma cerimônia estranha pautada com formalidade inglesa, e onde um sul africano fazendo embaixadinhas ao ritmo de uma batucada foi de longe a coisa mais brasileira. Foi transmitida pela Globo, por atores e com padrões e estética da emissora, terminei questionando: afinal foi uma celebração da Globo ou do nosso futebol? Será que vamos ter de engolir novamente exclusividade da emissora na próxima Copa?
A Copa da África do Sul não foi uma das melhores em questão de jogos, mas ela brilhou pelo fato de nós podermos escolher como assistir. Perceberam que não há exclusividade de transmissão e entrevistas da Globo nessa copa? Nós, torcedores saímos ganhando com isso, pois tivemos a chance de ouvir outras perguntas que não estão no script editorial da Globo, ganhamos por poder receber informações variadas, com mais de um ponto de vista. Por esse ponto, a copa foi está sendo brilhante.
Eis que surge essa merda de emblema e tudo o que vinha elogiando da Copa foi por água abaixo. A festa foi organizada por aquela emissora, começam a aparecer as primeiras panelas, tudo está indo para a direção oposta. Com tanta gente talentosa, um concurso para a criação do logo ia ser perfeito, mas pelo contrário, ninguém sabia até hoje quem fez, ninguém sabe direito como foi escolhida, nada. Apenas jogaram essa imagem na nossa cara.
Por esse caminho obscuro, o logo oficial da Copa está sendo criticada em todas as redes sociais, dos sites dos jornais até o Twitter. O índice de rejeição beira 80% segundo a pesquisa do Estado. Nós não temos voz?
Tirando a parte de teoria da conspiração, o logo é ruim, pra nao dizer que é uma bosta, mas tem uma qualidade: o design foge do estilo suíço de design, que norteia a maioria dos trabalhos brasileiros. Em outras palavras, nosso design ainda não tem identidade própria o suficiente para alguém olhar um poster e dizer "isso é brasileiro".
Não vou ficar aqui metendo o pau na qualidade do logo, pois além de ser impossível agradar a todos, já está rolando uma discussão grande sobre isso. A única coisa que realmente me deixou decepcionado foi o fato de todo o processo ser um grande segredo, que não levou em conta a opinião popular. A autoria da criação é de uma agência de publicidade chama África, informação que só foi anunciada hoje. Qual a razão de tanto segredo?
Gosto de acreditar que toda essa discussão e a opinião negativa sobre o logo tenha algum poder. Impeachment para esse emblema já !
Dia Internacional da Mulher
Hoje é o Dia Internacional da Mulher ! :]
Direitos iguais entre homens e mulheres. Hoje parece óbvio, mas ainda falta muito para acontecer, especialmente em alguns países que as mulheres se vestem como na imagem acima.
Quem acompanhar a celebração pela mídia tradicional, vai se deparar com explicações que a data foi criada depois de uma conferência, partidos, política, enfim. Acredito que para chegar ao ponto de criar uma conferência para discutir os direitos da mulher na sociedade, houve muita violência antes.
Na época da revolução industrial, a fim de reduzir custos, os donos de indústrias contratavam mulheres, pois elas recebiam menos que os homens. As operárias trabalhavam 15 horas por dia, ganhando uma merreca e em um ambiente impróprio (me lembra as agências de publicidade, mas isso é outro assunto rs).
Em um evento único, as operárias de uma indústria fizeram greve de trabalho, e pediram melhorias. Foi então que um incêndiou tomou conta de tudo. A história diz que as portas estavam trancadas por fora, e culminou em centenas de mulheres mortas.
Incêndio criminoso, ou não, o fato é que as mulheres eram tratadas como lixo, e como em qualquer disputa de poder, a violência é inevitável. A história dessa greve foi um dos marcos mais famosos para a criação do Dia Internacional da Mulher, mas com certeza houve muitos outros eventos violentos.
Gostaria de ligar hoje no noticiário e assistir uma reportagem lembrando que as mulheres ainda recebem 30% menos que os homens nas empresas, que são pelo menos 20 casos -relatados- de violência à mulher por dia, que algumas culturas ainda fazem atos abomináveis como apedrejar uma mulher que escolheu namorar.
O que vai passar hoje no noticiário é uma reportagem mostrando as festas pelo país celebrando a data. Vai mostrar um grupo de frevo só de mulheres, um grupo de choro composto só por mulheres, e por aí vai. Como bons brasileiros, continuamos não fazendo nada.
Seu mundo anda girando rápido demais para você?
Estou há pouco no Twitter, e pra ser sincero ainda não o uso 100%, mas notei que as coisas andam cada vez mais rápidas por lá. O Twitter destaca palavras-chave com maior repercussão em tempo real, que chamamos de Trend Topics (TT). A questão é que antes eu jurava que a maioria dos TTs duravam pelo menos alguns dias. Se você lesse 1x por dia, era suficiente e não perdia nada, mas agora o negócio anda em questão de horas. Um TT que entrou no horário do almoço some antes do jantar.
Isso vai além do Twitter, mas foi só um exemplo ok. Quero dizer, é óbvio que o nosso mundo com a internet é um mundo neurótico (dãã), mas acredito que muitos, assim como eu, só percebem realmente essa aceleração depois que já está no ritmo. Vejam, a nossa relação e dependência de informação pela internet não é a mesma de 10 anos atrás, não é a de 1 ano atrás, e não é a de 1 mês atrás.
Sempre tentei achar um meio termo para que a busca pelo o que é interessante na web não se tornasse uma corrida sem fim, mas às vezes a gente se complica né. Por exemplo, nunca fui de atualizar meu conteúdo via celular, mas no apagão de 2009 eu não resisti (rs).
Analisando friamente esse blog, sei que um dos maiores defeitos é a lerdeza em incluir conteúdo novo, e que vai totalmente contra o que temos de internet hoje. Por essa falha e outras, sei que o re'cordis está fadado a nunca competir entre os mais visitados em algum ranking idiota.
Existe um movimento mundial iniciado em 1986 chamado SLOW, que cria a opção de um breque em um carro que só tem o acelerador (rs). Acredito que todos já ouviram falar em partes desse movimento. Slow food em oposição ao fast food? Todos sabemos que comer rápido é ruim, ainda mais se o tipo de comida que fica pronto rápido inclui cachorro quente e mc donalds, mas até então tínhamos poucas opções para relaxar no horário do almoço.
Conheci uma pessoa que tinha um "lava lento" de carro, e pelo o que entendi, fez um baita sucesso (rs). Na europa, dizem que o movimento é mais forte e inclui grandes mudanças. Sabe aquela rotina de 8/10/12 horas de trabalho? Eles estão tentando reduzir para 7/6/5 horas por dia. Se a gente fosse calcular tudo, o empregado que trabalha, por exemplo, 6 horas dia, rende mais, pois consegue se concentrar e por conseguinte torna o seu trabalho mais produtivo e criativo. Sem falar nas complicações e doenças que um empregado sobrecarregado e estressado pode ter, passando por insônia até ataque do coração. Racionalmente, o caminho mais correto é diminuir a velocidade.
Infelizmente, no Brasir a gente tem como exemplo os EUA, que pouco tem a ver com a europa, então nossos horários de trabalho estão na realidade aumentando, nossos almoços durante expediente diminuindo, e o que mais dói em qualquer mortal: menos lazer.
Hoje eu entendo o pessoal mais velho que era contra a informatização de tudo e todos (rs). Para quem se interessar, o site do movimento slow - clique aqui.
Eu gosto da ideia de desacelerar, e por isso estou postando isso. Viram a foto? É uma boa metáfora: com uma linda paisagem daquelas, o legal mesmo é ir mais devagar para curtir a viagem :]
Imagem do dia: cadeira de área

No último final de semana fui para Gália, interior de São Paulo. Fazia tanto tempo que não visitava a cidade (aproximadamente 15 anos) que acabei recordando muitas coisas por lá.
Uma das coisas que mais me recordo de quando ia criança para lá são as cadeiras. Todo mundo na cidade tinha umas dessas na varanda da casa, e pelo jeito essa mania continua até hoje (rs). Depois de muito procurar por "é uma cadeira com umas fitas coloridas", descobri que o nome oficial é cadeira de área, bom, acabei trazendo uma para São Paulo
.
Pelo o que entendi do vendedor, ela é feita em Mirassol, também interior de São Paulo, e é febre nas cidades adjacentes como Garça, Marília, Vera Cruz, Bauru, etc. Gostaria de pedir para quem já viu essa cadeira alguma vez na vida que comente no blog, só por curiosidade mesmo
.
Imagem do dia: apagão 2009
Acredito que a maioria aqui presenciou o fato que com certeza vai marcar 2009. A pane que resultou em 12 estados do país e mais o norte do Paraguai sem luz elétrica.
Quando aconteceu o apagão, eu estava do outro lado da cidade, no curso de pós. A princípio, achei que fosse somente na rua, mas conforme ia andando, comecei a ter ideia do desastre (rs). Acabei voltando de ônibus para casa, e até caminhei pelo centro histórico e Av. Paulista totalmente sem luz - foi uma experiência bacana, e provavelmente única na vida (rs).
Separei algumas imagens dos sites do Estadao.com e Folha.com.br para postar aqui no blog:

Av. Sumaré - SP (foto Evelson de Freitas/AE)

Av. Paulista (foto Caio Guatelli Folha Imagem)

Av. Paulista (foto Marlene Bergamo Folha Imagem)

Av. 9 de Julho - SP (foto Caio Guatelli Folha Imagem)

Av. 9 de Julho - SP (foto Caio Guatelli Folha Imagem)

Av. Paulista (foto Marlene Bergamo Folha Imagem)

Av. Paulista (foto Rubens Cavallari Folha Imagem)
Atualização do post: quem gostou, pode ver mais aqui. (52 fotos)
Imagem do dia: inspiração

Acho que o designer que criou o logotipo do Playcenter ficou muito tempo olhando para a sua mesa
.
Dica do meu irmão, o arauto do modem, Tiésari.
Estamos dividindo certo?
Se procurar pela tag LIFE no flickr, vai achar essa foto. Se perguntássemos para 100 pessoas qual o sentido de vida nessa imagem, poderíamos ter 100 respostas. Para mim, a vida está em nós, no mar bravio, na areia seca e toda a natureza, que nos inclui também
.
É engraçado que temos o péssimo hábito de nos separar do resto da natureza, tanto que até existem movimentos como "homens em prol da natureza", como se não fossem ligados. Qual o problema de nos associar a tudo que conduz vida no planeta?
Sabia que o chimpanzé é animal mais próximo do animal ser humano? Achou estranho ser associado como animal? E se pedir para você pensar em: o ser humano é o animal mais próximo do chimpanzé?
Quando olho essa foto, penso se estamos dividindo da forma certa. Explico: para existir vida, essencialmente há de ter um ambiente propício para isso. O mar é ambiente de animais marinhos, terra, terrestres. Até na porra do céu tem vida (rs).
Independente da evolução do ser humano, a nossa concepção tem a ver com outros animais e o meio que dividimos nossas vidas. Nossas vidas são ligadas, e dependentes umas das outras. Não faz sentido mandar e desmandar na única herança que temos do planeta.
Nada mais racional do que afirmar que dependemos mais dos outros animais e do nosso ambiente comum do que de nós mesmos. Não sou ecochato, nunca fui ao forum social mundial, nem sou politicamente ativo, porém, sou sensato.
A propósito, hoje é dia mundial do meio ambiente e também comemoramos no país o dia da ecologia.
O monopólio do presunto

Estava lendo o jornal quando me deparo com a notícia da possível união entre a Perdigão e Sadia. Logo, minha primeira reação foi: WTF? Um dos casos de concorrência mais acirradas no país, 2 empresas que viviam se pegando na disputa para ver quem vendia mais presunto. Como poderia imaginar que as empresas agora são amigas íntimas, daquelas que vão no banheiro juntas (rs).
Foi ainda mais estranho ler que a Perdigão está comprando a Sadia, e não o contrário (rs). Quem diria que a eterna "segundona" na realidade tivesse mais din din que a tal líder, que detinha primeiro lugar na lembrança do consumidor (top of mind), marketing share e até preço final ao consumidor mais elevado.
A resposta está aqui: Com a aquisição (da empresa ELEVA, dona da Avipal e Elegê), a Perdigão atinge uma marca histórica: ultrapassa a arqui-rival Sadia em faturamento, tornando-se a maior empresa brasileira de alimentos. Essa notícia é 10/2007, ou seja, eu não me interesso por economia (rs). Quem quiser ler na íntegra, clique aqui.
Mas o que isso afetará os mortais consumidores? Elementar, estamos diante do futuro monopólio do presunto no país do futebol ! Esqueça todas as suas esperanças de comer misto quente no café, ou achar que o pão com presunto do Chaves é um alternativa de pobre para enganar a fome. A gente vai ser forçado a migrar para a mortadela.
A concorrência, como era no caso da Sadia e Perdigão, era saudável para os consumidores, que pagavam menos por algo melhor. Com a junção das empresas, a tendência é o nosso presunto virar uma Telefônica da vida, ou não.
Só nos resta torcer para a Aurora continuar a vender baratinho sem ser esmagada pela super empresa que irá se formar.
Malandragem dá um tempo: Lei de Gérson

De Macunaíma, o antiheroi sem caráter de Mário de Andrade, passando por Zé Carioca e a Lei de Gérson: afinal, somos mesmo malandros? Essa questão foi respondida de várias formas. Intelectuais, sociólogos, políticos, formadores de opinião, todos deram sua contribuição para o que parece ser irrespondível.
Dentre as respostas, uma das mais plausíveis que já li foi uma que saiu na revista Época, que falava sobre a "...necessidade de uma nova definição do que era ser brasileiro, tema pulsante na década de 20, quando os imigrantes contribuíam para um novo perfil de nação. A convicção era de que a mão-de-obra importada era muito melhor que a nacional. Alguns estudiosos defendiam que dos escravos havíamos herdado o horror ao trabalho e dos índios um talento especial para a preguiça. É desse cenário que surge a compreensão da força da malandragem, uma espécie de contraponto ao exército de trabalhadores dedicados e produtivos, que primeiro a agricultura e depois a indústria tanto necessitaram para competir no mercado internacional. Os malandros passaram a fazer parte do imaginário de um país de alma escravista como uma espécie de resistência ao modelo europeu cheio de regras."
De toda essa herança social, chegamos finalmente ao ano de 1976, quando a publicidade usa um grande jogador de futebol para brilhar no anúncio do cigarro Vila Rica:

Gérson de Oliveira Nunes foi apenas o garoto-propaganda, mas acabou virando mais que isso depois da campanha. Em tempo: o jogador afirmava no comercial para TV: "É gostoso, suave e não irrita a garganta", "Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro?" e Gosto de levar vantagem em tudo, certo?".
No final das contas, poderia ter passado batido, mas não foi o que aconteceu. Como se tivesse acertado em uma ferida não cicatrizada da sociedade, essa campanha foi satirizada, e seu garoto-propaganda crucificado. A Lei de Gérson estava criada. Na época, virou piada, e sempre que acontecia alguma situação digna de "malandragem", as pessoas lembravam da lei, que basicamente era levar vantagem em tudo, mesmo que isso não seja ético.
Como sabemos, é comum a publicidade utilizar-se de figuras públicas, como jogadores de futebol, e -principalmente- de traços sociais em determinada sociedade. É por isso que a publicidade é regional. Quem criou o conceito da campanha do Vila Rica, sacou que somos malandros mesmo (rs).
De todas as reações, a gente escolheu ironizar, um traço comum do brasileiro, o que alguns afirmam ser pura criatividade. De qualquer forma, a reação foi negativa, e isso é importante.
Bom, no segundo episódio dessa discussão (primeira parte aqui), já vimos que não queremos ser malandros. Falta então, atitude para mudar. Pretendo escrever um último post sobre isso finalizando o assunto.
PS: O jogador, posteriormente, afirmou publicamente ter se arrependido de ter participado da campanha
Vídeo do comercial:
Malandragem dá um tempo: Walt Disney no Rio

Dizem que quando Walt Disney veio ao Brasil em 1941, mais especificamente no Rio de Janeiro, conheceu muitos pontos turísticos da cidade. A razão da pesquisa era a produção de 2 filmes inspirados na cultura brasileira, e que serviriam para "unir" os países contra o "eixo", esforço de guerra. Apesar de toda a teoria da conspiração aqui, o que importa da visita do artista no país é sua visita ao Pão-de-açucar:
Depois de dias turistando pela cidade maravilhosa, Walt Disney resolve conhecer o Pão-de-açucar. Para felicidade das crianças, dessa vez ele vai sem a equipe de produção, o que acarreta em uma das situações mais ridículas e caricatas do Brasil sil sil: tentaram vender o Pão-de-açucar para o gringo ! (rss)

Tentem imaginar a oferta! -Para você, que é um gringo do bem, ofereco todas essas montanhas por apenas R$ 99,99 réis (moeda vigente em 1941). Que absurdo !
Desse caso, surgiu um dos principais personagens Disney, o Zé Carioca, que mais tarde iria estrear os filmes Salutos Amigos (Alô Amigos) em 1943 e The Three Caballeros (Você já foi à Bahia?) em 1944.

O personagem Zé Carioca é um papagaio, que vive fugindo dos cobradores, pois deve dinheiro e não consegue pagar (acho que essa situação é comum até hoje, né?). Ele sempre carrega consigo um guarda-chuva e um chapéu-panamá, que são parte do "malandro clássico" do Rio de Janeiro, como diz a letra de Wilson Batista: "Meu chapéu do lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio" - Evidentemente, a navalha foi trocada pelo guarda-chuva
.
O que acho mais fantástico de tudo isso, foi a capacidade do Walt Disney de em tão pouco tempo, sacar o malandro esteriótipo carioca, e depois personificar de modo que até um ser que mora no Acre (Acre existe?) se identificar com o Zé Carioca.
Podemos lembrar um dos maiores historiadores do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda - sim, pai do Chico (rs) - demorou anos e anos a fio para resultar em o que ele chamou de "cordialidade brasileira", que se liga ao famoso jeitinho brasileiro, coisa que o gringo sacou em 3 dias. Sérgio ainda identificou muitos outros aspectos importantes do brasileiro, mas um que vale a pena sair um pouco do assunto e ser citado, é que por causa da cordialidade brasileira, o país está estagnado nos ambientes político e social, sem chances de mudar. A "mudança", segundo ele, deve vir de dentro do país, em outras palavras, do brasileiro. O país não cresce porque o brasileiro não quer, já dizia um velho amigo.
Poxa, quer dizer que a gente está na merda porque somos malandros? Muitos acreditam que sim.
Na minha opinião, acho que se realmente a gente estivesse determinado a mudar o país, a gente conseguiria. O problema é quem de fato se mexe e faz alguma coisa é 0.1% da população. Se todo político que roubasse e não fosse preso, o povo saísse em peso nas ruas pra colocar ele pessoalmente atrás das grades, a malandragem na política estaria resolvida, e nunca mais teríamos que ver aquelas piadas mais-que-chatas de políticos ladrões.
Próximo post continuo a história sem fim da malandragem no Brasil.
Imagem do dia: comunicação eficiente
Pense comigo: imagine-se dono de uma empresa, e no momento, tivesse que comunicar algo àquele funcionário que não aparece faz 2 dias no trabalho sem explicação. Como você faria?
. Telefone
. Celular
. E-mail
. SMS (torpedo)
. Carta
. Telegrama
. Mandar alguém pessoalmente
. Pombo correio
Mas não! Você tem estilo! Por isso que ainda não inventaram nada mais eficiente do que um anúncio nos classificados do caderno de - pasmem - esportes do Estado de S.Paulo. Você é inteligente e sabe que a Dona que está prestes a perder o emprego, deve comprar o jornal todos os dias para ler as notícias de esporte.

Não, falando sério. Alguém sabe como isso funciona? Qualquer opção da lista acima é bem mais barato do que anunciar no jornal. É algo do tipo burocrático e legal para se fazer quando não quer mais o empregado mas tem a obrigação de "comunicar" previamente?
Magrela vs São Paulo – Parte 3
Para finalizar a trilogia sobre a magrela e a cidade de São Paulo (veja parte1 e parte2), eis um trecho do breve resultado dos bicicletários no metrô:
"São apenas 202 bicicletas disponíveis e a única ciclovia que realmente funciona e oferece segurança aos usuários é a que acompanha a Radial Leste. Mesmo assim, com números mais do que tímidos, foram feitos expressivos 7.946 empréstimos de bicicletas entre 27 de setembro do ano passado e 9 de março deste ano."
Trecho retirado de um artigo no Estado de S.Paulo. Link para a versão online aqui. - infelizmente não é o texto completo que foi publicado no jornal impresso. Bom, o que interessa mesmo está destacado: a cidade está aberta a novos meios de transporte na cidade. Acredito que essa é a essência do que - talvez - venha a se tornar a magrela em São Paulo.
Agora vou fazer jus à trilogia e me locomover de bike. Estou em processo de despedida da companheira que me acompanhou durante 15 anos entre trancos e barrancos, pois não vale mais a pena consertar. Vou aproveitar para pegar uma magrelinha melhor. Sempre andei com a pior bike (aka a mais barata) para andar na cidade sem ser roubado. Vamos ver então.
Sacos plásticos são um saco
Hoje li um artigo sobre a questão dos sacos plásticos no Brasil, e as tentativas de solução. Os números são esses: 18 milhões de sacolas plásticas por ano no país, sendo apenas 20% disso tudo reaproveitado em forma de reciclagem ou qualquer outro fim melhor que os aterros sanitários; material demora aproximadamente 500 anos para se decompor (é o tempo que demorou do descobrimento do país até agora - reflitam); a reciclagem é baixa pois além de ser complicada, é cara.
Não sou um ecochato, e entendo que a sacola plástica faz parte da nossa cultura. Usamos diariamente como lixo, para guardar coisas na casa e viagens. Mais que isso, há tempos vemos peças de arte com sacos de lixo, roupas no desfile de moda com sacolas de supermercado, entre outros. Somos assumidamente o país do saco plástico
. E isso é bom.
A única coisa que não entendo são as pessoas que jogam sem peso na consciência uma sacola no mar, no rio, nas calçadas. O que custa jogar no lixo? Não precisa separar o lixo para reciclagem, mas jogar fora dele é foda.
No carnaval, aproveitei para mergulhar no canal de São Sebastião, onde há pouco tempo atrás era bem preservado. A surpresa foi ver sacolas plásticas presas às pedras. Vi até a latinha de cerveja do vizinho, safra do carnaval. Alguns animais muito comuns na área como estrelas do mar, bagres, cavalos marinhos e ouriços sumiram.
Voltando à questão das sacolas, alguns hipermercados lançaram versões repaginadas das antigas sacolas de feira, que eram usadas em todo o tipo de compra de alimento, não só na feira. Porém, ao invés de incentivarem a compra das mesmas, ofereceram por um preço de grife. E como fica o consumidor para decidir entre uma sacola de graça e a versão de rico?
Há também um tipo de sacola plástica que se decompõe em 18 meses, mas para isso, é acrescentado um químico, que os próprios químicos dizem ser prejudicial e tóxico para ser produzido em grande escala.
A verdade é simples: não temos uma solução boa o suficiente para nos desfazermos da sacola plástica. Por hora, basta não jogarmos fora do lixo.
Com informações do Estado de S.Paulo, caderno especial Sustentabilidade 27/02/2008
A lei do estacionamento "gratuito" em shoppings
ATUALIZAÇÃO DO POST 13/12/2011
A lei que garante a gratuidade no estacionamento em shoppings NÃO está em vigor.
Lembrando que é uma discussão antiga, com diversas tentativas e leis, mas até agora nada.
Só pra constar que todo ano o blog tem um pico de acessos nesse post, que trata da lenda mór da sociedade. Todo ano é a mesma coisa: surgem boatos por email ou nas redes sociais que a lei estaria aprovada e em vigor, mas a verdade é outra. Por esse motivo mantenho o post atualizado.
Minha sugestão é buscar a confirmação da lei em veículos gigantes de comunicação do seu estado. Em SP, por exemplo, os jornais O Estado de S.Paulo e Folha são ótimos medidores de verdade. Acabei de procurar pela lei, mas nada. Evitem passar vergonha batendo boca com o atendente do estacionamento por uma lei que nunca foi, de fato, confirmada e legal. Bate boca, que aliás, eu tive anos atrás e foi o estopim para eu escrever esse texto.
Outra informação importante é que essas leis estão sendo discutidas em âmbito estadual, ou seja, cada estado terá sua lei de estacionamento em shoppings. Fiz uma busca rápida na internet e achei leis distintas em RS e AL.
Para quem quiser se inteirar com essa discussão, leia o post abaixo e tenha uma postura ativa como cidadão. Os sites dos estados e prefeituras são ótimos para agitar a discussão.
Site do estado: www.sp.gov.br (troque SP pela sigla do seu estado)
Site da prefeitura: www.prefeitura.sp.gov.br (troque SP pela sigla do seu estado)
ATUALIZAÇÃO DO POST 27/11/2009
A lei entrou em vigor no dia 25/11 em todo o Estado de São Paulo, entretanto a associação dos shopping centers entrou com uma ação para declarar a lei inconstitucional e ontem dia 26/11 o juiz da causa deu uma liminar suspendendo a referida lei até o julgamento definitivo da ação, desta forma hoje a lei está suspensa devido uma liminar, não surtindo seus efeitos.
Vamos ter que esperar mais um pouco pra ter esse benefício, e torcer pra não ser realmente decarada inconstitucional a lei.
(Na realidade quem escreveu o trecho acima foi o Ramon, que comentou o post, então estou atualizando aqui com a última posição dessa polêmica toda)
ATUALIZAÇÃO DO POST: 25/11/2009
A partir do dia 25.11.2009, quem estacionar o carro dentro do shopping, tem a possibilidade de NÃO pagar a taxa do estacionamento, desde que PROVE com notas fiscais do DIA que gastou pelo menos 10x mais do que a taxa do estacionamento. Um ponto importante é que a "gratuidade" só vale no período máximo de 6 horas. Além disso, agora temos 20 minutos gratuitos - já vi shopping cobrando depois de 10 e 15 minutos.
Até onde li, os shoppings vão recorrer, então fiquem espertos. O re'cordis torce para que a gratuidade seja mantida :]
Talvez, uma das maiores lendas que assombram nossas caixas de entrada de e-mail, seja a lei do estacionamento "gratuito" em shoppings centers (entre aspas, sim. Explico depois). Aquela coisa que a gente recebe de 6 em 6 meses (rs) - Se gastar 10x o valor do ticket do estacionamento, não é preciso pagar. Infelizmente, continua uma lenda.
Para começar, a palavra "gratuito" não é a melhor forma de definir esse esboço de lei, pois nada é de graça nesse mundo (rs). Sabe aquele shopping que não cobra estacionamento? Pois é, a taxa está nos produtos que você compra, embutida. E caso a lei fosse aprovada - o que é difícil acreditar se tratando de um projeto de 1997 - continuaria sendo "não assim, tipo, não totalmente gratuito".
Desculpem a ironia, mas é sacanagem escrever sobre uma lei que tem até o nome errado (rs). Em tempo: em nenhuma instância teremos estacionamento gratuito. Isso está na categoria de eufemismos de comunicação (ai, minha classe). Sim, é tão deselegante como cobrar R$ 3,00 em 03 detergentes com o seguinte dizer "leve 3, pague 1", sendo que o preço praticado de cada unidade é de R$ 1,00.
Não se sinta traído por seu fabricante de detergente preferido. Eu também já cai nessa, aliás, todos caímos (rs).
Na minha opinião, com uma lei dessas, todos iriam sair ganhando. Para os consumidores, que na teoria deveriam ser os mais importantes da cadeia comercial, comprar um lanche de R$ 10,00 no lugar de pagar taxa de R$ 3,00 de 2 horas, por exemplo. Não precisa nem ser tão gordo, os 10 pila poderiam comprar alguma lembrança para a sua namorada, um pocket book, qualquer coisa mais interessante do que pagar para deixar teu fuscone no estacione. Capital de giro, elementar. Com a compra de um pocket book, até a indústria que faz papel lucra, é uma cadeia gigantesca até chegar no ponto de venda.
Quem lucraria diretamente com essa novidade seriam os comerciantes dos shoppings, que teriam mais consumidores em suas lojas e por conseguinte, mais vendas. Mesmo os consumidores que entraram na lojinha de lembrançinhas apenas para gastar a quantia para não pagar estacionamento, estão consumindo. Lembrem-se, são 10x o valor do ticket. Então em uma compra de um chaveiro de R$ 11,00, por exemplo, R$ 3,00 são para a manutenção do estacionamento, mas o resto é lucro.
Apenas a questão de receber mais consumidores nas lojas já é muito valioso. Um comerciante inteligente, com certeza saberia se aproveitar dessa situação.
Para os administradores do shopping, a mesma renda que mantém o estacionamento funcionando poderia ser obtida por meio de taxações na locação das lojas, ou dos produtos das mesmas. No final das contas, ia dar a mesma coisa para o shopping.
Cegos são os shoppings que ainda não pensaram na imagem positiva da empresa perante o consumidor caso criassem uma esquema parecido com o projeto. Afinal, não é preciso de lei para aplicar esse negócio no seu comércio. Até tem quem faça isso, mas fico indignado com os burros que ainda não fizeram (rs). A questão das pessoas que usariam o estacionamento para ir trabalhar, é facilmente contornável com a obrigatoriedade de mostrar a nota fiscal das compras.
Para os espertos que acham que vão estacionar durante 10h e pagar uma casquinha de sorvete, basta aplicar uma tabela de preços padrão de qualquer estacionamento. 10h são R$10,00. Se quiser nção pagar, vai ter que consumir 100. Simples assim, e melhor que o próprio projeto, que estabelece um máximo de 6 horas no shopping para lidar com os espertos - até eu que não gosto já fiquei mais dentro de um shopping.
Por fim, até o governo ia ganhar com uma lei dessas, pois diminuiria significativamente a sonegação de impostos dos comerciantes, que iriam estar felizes da vida e lucrando com as vendas aos consumidores que iriam exigir a nota fiscal para não pagar a taxa de estacionamento.
Por que ainda não temos essa lei? Convenhamos, não é algo tão complexo como a questão do ser ou não ser. É um projeto de lei federal de 1997 e até agora nada. Agora quando entra em discussão o salário do legislativo, daí resolvem em 1 dia, né? (rs)
Para quem se confunde com a questão de existir ou não leis assim, temos nos estados de SP e RJ leis estaduais que não foram aprovadas em câmara ou vetada por seus governadores. Em todo caso, antes de querer matar o seu governador, de nada adianta uma lei estadual que é considerada inconstitucional no conjunto de leis federais. Isso a anula totalmente.
Quem quer ver essa lei, tem que batalhar para que seja federal, como o projeto de lei n° 2889/1997.
Por enquanto, continuamos pagando 2x o valor do estacionamento em shoppings e hipermercados, quando compramos (taxa embutida) e quando pagamos na hora de sair do local. Quem duvidar disso, tente imaginar uma situação quando ninguém mais usasse o estacionamento do shopping - ele iria "falir", por acaso? - Seria uma falha muito grave na administração.
Complementando:
Projeto de Lei estadual nº. 35/2005 - São Paulo - vetada pelo Geraldo Alckmin
Projeto de Lei estadual nº. 454/2007 - São Paulo - vetada pelo Gilberto Kassab
Projeto de Lei estadual nº. 1209/2004 - Rio de Janeira - até onde consegui informações, aprovada porém considerada inconstitucional
Resolvi escrever esse post depois da terceira tentativa de não pagar o estacionamento no shopping quando recebi por e-mail a informação que a lei estava aprovada.
Na próxima vez, irei confirmar se a lei realmente está aprovada (rs).
Acessem www.prefeitura.sp.gov.br para leis estaduais de SP, e www.camara.gov.br para federais. Quem for de outro estado, apenas troque SP pela sua sigla.
Magrela vs São Paulo – Parte 2

Vocês viram?
Uma boa notícia para quem anda de bicicleta em São Paulo ![]()
Pena que precisou acontecer uma tragédia (leia aqui) para a gente discutir o assunto. Infelizmente, é assim que a sociedade funciona.
O projeto dos bicicletários no Metrô é uma parceria com a rede de estacionamentos Estapar, que aos poucos (para nao dizer quase parando) foi disponibilizando espaços para empréstimos e estacionamento de bicicletas. No último mês, foram entregues mais 6 bicicletários, somando 15 no total.
Mais informações aqui.
E viva a magrela!
Atualização: leiam os comentários do post que tem mais informações.
Muito Além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane)
- OK, alguns vão falar "que coisa mais antiga !" ou então "isso eu vi 10 anos atrás" (rs), porém, só fiquei sabendo da existência desse documentário este ano.
Beyond Citizen Kane, ou Muito Além do Cidadão Kane, nome no Brasil, foi produzido em 1993 pelo Canal 4 do Reino Unido, e mostra a trajetória da Rede Globo de Televisão (plim plim) desde a sua concepção até meados antes do impeachment do nosso ilustríssimo Fernando Collor de Mello.
A razão do nome é a comparação do, na época, dono da emissora Roberto Marinho, com um personagem do filme Cidadão Kane (O mundo a seus pés, no país) de 1941. Segundo o documentário, ambos manipularam as notícias para influenciar a opinião pública.
Na minha visão, algumas comparações e teorias ficaram um pouco exageradas, mas vale muito assistir pelos depoimentos nada imparciais de Chico Buarque, Brizola, Washington Olivetto, Lula e alguns funcionários de peso que trabalhavam na Globo durante a produção do documentário.
Estou até agora me perguntando por que diabos eu, que estudei comunicação na PUC, não vi enquanto estava na faculdade (rs).
Ah, e a propósito: são 1h30 de duração. Separem um horário do dia para ver com calma - vale a pena. Se fosse dar um conselho, seria de procurar um arquivo com mais resolução nos torrents da vida, queimar em DVD e assistir na TV. É cansativo ver tudo isso no tubinho do google como eu fiz.
Só para lembrar que o vídeo é proibido de passar no país. Para entender a história de toda a confusão recomendo a leitura da wiki.
Dica: o vídeo pode ser rodado direto do blog, mas quem quiser assistir direto do google aqui. Comentem, por favor !
Magrela vs São Paulo

A morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, atropelada por um ônibus na Av. Paulista, foi a gota d'agua para quem tenta andar na contramão do estilo de vida estressante e poluente do paulistano.
Verdade seja dita: até a prefeitura incentiva a bicicleta como meio de transporte, mas é óbvio que a cidade não tem a mínima estrutura para isso, e não precisamos de um acidente desses em pleno cartão postal de São Paulo para voltar as nossas atenções para essa questão.
Usar a bicicleta como meio de transporte significa 1 carro a menos na rua, o que vale para diminuir a poluição e trânsito na cidade, além ser saudável e menos estressante para o biker - OK, todos nós sabemos, mas por que continuamos indo de carro para o trabalho ou faculdade?
A maioria das pessoas se queixam que a cidade não tem ciclovias - o que é verdade. Já a prefeitura responde que faz o possível para melhorar, embora ninguém tenha notado ainda essa melhora (rs). Admito que o próprio relevo de São Paulo complica um pouco, já que a cidade não é um grande plano, mas acredito que logo seremos forçados a deixar os carros na garagem e ressuscitar a magrela. Cidades com mais pessoas que metros quadrados, como Tóquio e Bangladesh já partiram para o inevitável depois que o transporte coletivo lotou e andar de carro ficou impraticável: andar em um meio de transporte que não utilize as ruas - até inventarem algo melhor, a bicicleta.
Tive uma experiência bacana como biker durante 3 anos. Na época, acordava e pedavala até a academia, de lá, ia direto para o colégio e depois voltava para casa, isso que moro em um morro (rs). Lembro que depois um tempo, o corpo acostumou com o exercício e nem suava mais, o que é bem prático para não chegar todo melecado no destino. Além disso, descobri que o frio de São Paulo no inverno corta o rosto, o jeito é proteger usando uma balaclava (estilo assaltante de banco), ou como eu fazia ao estilo febem: dobrava a camisa na cabeça e improvisava uma proteção (rs).
Andar de bicicleta em São Paulo é tão perigoso, que os bikers andam em bando. Lembro que quando fiz 1 ano de cursinho, andava em um grupo de 4 pessoas - o que era bem legal e completamente mais seguro, pois ocupávamos o espaço de um carro juntos. E até que deu bastante certo a nossa ideia, pois íamos todos os dias, religiosamente (até em dia de bar). Bastou uma conversa com alguém da administração do cursinho para eles liberarem um espaço para as nossas bikes no estacionamento dos professores. Isso era importante pois tinha gente no grupo com super bikes - a minha era da humildade e sempre amarrei com cadeado nos postes.
Depois disso, já na faculdade, tentei seguir com a ideia da bicicleta, mas ficou ruim, pois andava sozinho e pegava um caminho completamente engarrafado de motoristas estressados e sem a mínima vontade de dividir o espaço ainda mais com uma bicicleta andando a 20km/h. Para finalizar, um belo dia estava indo à noite para a faculdade quando fui atropelado por 2 motoristas apostando racha. Eles viraram muito rápido na rua que estava atravessando, e acabei batendo perpendicularmente na roda traseira do último carro. Voei pra frente e cai no chão. Lembro da bicicleta rodando bem alta no céu e caindo na minha perna direita. Fechei os olhos, e quando abri, estava no chão sangrando com muita gente em volta. Levantei-me, desentortei o guidão e segui, mas acabei desistindo da bicicleta por uns tempos. O mais engraçado é que não deu 1 mês depois da minha aposentadoria e o metrô finalmente liberou a entrada de bicicletas nos vagões (rs). Hoje pego o metrô para trabalhar, e sempre entro no vagão reservado para as bicicletas, mas nunca vi ninguém usando.
O meu caso foi isolado, mas me fez trocar a magrela por um automóvel. De qualquer maneira, a prefeitura precisa oferecer mais recursos para a bicicleta como meio de transporte. Em termos de infra-estrutura, temos a possibilidade de utilizar o metrô, mas por outro lado, não há ciclovias e faltam bicicletários. Na questão psicológica, temos motoristas estressados e despreparados para dividir as ruas com as bicicletas. Já vi motorista abrir a porta do carro com um chute e quase fui visitar Deus (rs).
O ideal seria viver de forma harmônica no vai e vem de pessoas em São Paulo, mesmo com o trânsito infernal. Bastam os motoboys, que conseguiram o seu espaço de forma agressiva. Com os bikers será a mesma coisa? Precisamos mesmo andar em grupo para não morrer no trânsito?
Para finalizar, uma foto do Bike Tour SP, realizado junto com o aniversário de São Paulo: um pelotão com mais de 5.000 bicicletas
- Ainda não acredito que só fiquei sabendo depois que aconteceu. Queria ter participado.
Caráter, uma bela frase e o homem
Tenho um amigo que diz que a sociedade é dividida em 2 partes: a primeira, são as pessoas que decoram muitas frases de famosos, filósofos e do Ghandi. Já a outra parte, são pessoas que não têm muitas frases, como eu. De qualquer modo, guardo algumas boas frases na lembrança. Uma em especial, se refere ao caráter de um homem, e foi proferida por um filósofo que não me recordo seu nome, e a frase só me recordo da essência: o verdadeiro caráter de um homem somente se mostra em uma situação crítica.
Essa frase é uma constante nas minhas reflexões, pois até hoje não consegui resolver. Na realidade, não sei como reagiria a uma situação dessas. Às vezes imagino situações como a do rapaz que estava voltando do trabalho pela Marginal Tietê em São Paulo em um dia chuvoso quando viu uma criança no rio. Então parou o carro na grama e se jogou na água para então resgatar a criança. Lembrando que o Tietê é não é um riacho, e o risco de morte ao atravessar ou nadar nele é altíssimo, ainda mais em dias de chuva.
O que você teria feito se fosse o rapaz? Qual é o seu caráter? -Não consigo responder essa pergunta. Talvez tivesse ligado para os bombeiros, não sei. Só saberei quando passar por uma situação dessas - é somente nessas horas que o verdadeiro caráter de um homem aparece.
Imagine então outras situações críticas, como uma guerra, onde você deve atravessar um campo minado com tiros de todos os lados para resgatar um amigo que perdeu a perna, ou até mesmo um pai que abdica do seu tempo e saúde trabalhando em 2, 3 empregos para pagar a educação da filha. Se oferecerem 10 milhões de reais para matar uma pessoa, você faria?
Segundo a definição da Wikipédia, caráter é o termo que designa o aspecto da personalidade responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo; esta qualidade, é inerente somente à uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais.
A fonte ainda diz que caráter é, em definição mais simples, sinônimo de índole, termo usado de forma infeliz para justificar a pena de morte e outras punições. O problema é que o termo atende por um significado mais amplo que o do dicionário (temperamento, comportamento). As pessoas acreditam que todos nascem com índoles, que podem ser boas ou ruins. Um assassino então teria uma índole ruim, e dessa forma não é possível mudar seu comportamento. Quando penso nisso, logo o meu lado racional me cutuca. Não é possível que um bebê com 1 mês de vida já tem o seu comportamento definido. Alguns defendem que o comportamento da pessoa é formado nos primeiros anos de idade - concordo em parte, mas acredito que um idoso de 60 anos pode mudar - se quiser. Eu e minha careca também somos prova de que é possível rs.
E a questão da índole ser imutável atinge a sociedade como um todo. Sabe aquelas coisas de que o brasileiro é acomodado, malandro e deixa tudo para última hora? É um traço do nosso caráter coletivo que se mostrou décadas atrás, porém continuamos ouvindo reproduzindo e justificando nossos atos embasados nessas características. Precisamos compreender que as mudanças a nossa volta, é obra da gente, e não de algo pré-definido, predestinado. Se você deu a volta ao mundo a pé, foi graças ao seu esforço, e não graças a Deus. Enquanto continuarmos com essa atitude, serão poucas as chances de mudar.
Essa questão do caráter pode também ser aplicada na metáfora das máscaras de uma pessoa. Não dizem que em cada situação usamos uma máscara para nos proteger? No trabalho você usa uma máscara de pessoa pró-ativa (urgh, odeio essa palavra), com os amigos põe a da pessoa brincalhona, e por aí vai. No final das contas, sortudo é quem consegue enxergar a si próprio no espelho. O Lash, um grande amigo meu, me contou uma vezque para descobrir quem você é de verdade, basta imaginar alguma situação que viveste. Quando fizer isso, imagine-se como um observador do momento, esse então é você.
E, misturando a idéia das máscaras, com a teoria do ponto de observação (uma ação tem diferentes pontos de interpretação: 1. quem fez; 2. quem recebeu; 3. amigos, família, conhecidos; 4. observador de fora), podemos chegar próximo do caráter de alguém somando a visão do seu círculo com a visão de fora do observador. É como um funeral, quando as pessoas tecem comentários sobre o morto: "ele era um bom homem" ou "era corajoso". Acho que devíamos incentivar esses comentários antes das pessoas morrerem rs. Aposto que salvaria vidas! Como dizia Nelson Cavaquinho, se quiser falar de mim, que o faça agora. Me dê as flores em vida, o carinho, a mão amiga, para aliviar meus zais. Depois que eu me chamar saudade, não preciso de vaidade, quero preces e nada mais.
Gostaria de um dia conhecer o meu verdadeiro caráter, e até lá, nada me impede de lutar pelo o que acredito!
Afinal, o sofrimento é passageiro. Desistir é para sempre (frase que li no vidro de um jipe rs)
O futuro da publicidade no Brasil

"- Quero meu logo maior !"
Introdução para quem não trabalha com comunicação -
Não. A gente não cruza os pés sobre a mesa, nem apoia o queixo em uma das mãos e faz um semblante quase celestial momentos antes da grande idéia - aquela que acende a lâmpada no pensamento.
Aliás, eu nem sei porque tem tanta gente com essa idéia maluca de prestar publicidade e propaganda no vestibular. E olha que já faz alguns anos que o número de candidatos por vaga de P.P é maior que cursos super tradicionais, como medicina e direito.
Deve ser propaganda enganosa, só pode. Embora ame de paixão o que faço, devo admitir que eu também cai. Aquela coisa de "Lellis Tratoria, o restaurante dos políticos, dos jornalistas, dos publicitários...".
De perto, a publicidade está bem distante da imagem que passam para as pessoas (deve ser propaganda enganosa também rs). Ouso dizer que, na realidade, ela é feia, bem feia. Nenhuma área é perfeita, eu sei, mas a minha é um pouco punk. Esperava, por exemplo, usar a carteira de trabalho pra outros fins mais dignos do que peso de papel rs.
Isso pouco importa agora. Dos pontos negativos, espero que melhorem, sempre - e batalho por isso. O intuito desse post é fazer uma crônica em cima de uma das coisas mais cômicas da publicidade: o cliente. É ele que paga pelo trabalho, é ele que aprova, enfim, é ele que pede pra aumentar o logo em 100% dos trabalhos.
Uma das coisas mais chatas do cliente, além de pedir pra aumentar o logo em todos os anúncios, é redesenhar todo o seu trabalho. Você fez faculdade e vem de muitos cursos e estudos pra saber que no caso do cliente X, seria legal trabalhar com uma postura mais agressiva de comunicação, com cores fortes, modelos estilosas e o escambáu. Daí chega o infeliz e pede pra mudar tudo !
Mas em um futuro não tão distante, isso vai mudar. Acompanhem:
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Andava em passos rápidos, quase tropeçando. Eram 8:47 e Bola estava a 2 quadras do seu trabalho. - Tinha esse apelido porque durante um campeonato intercolegial, ganhou os 100m rasos, e de tanta alegria, saiu da piscina e foi comemorar no lugar mais alto do ginásio. Não tinha reparado que a sunga tinha dividido aquelas 2 partes do homem, uma pra cada lado. Na realidade, a ansiedade dos pés era de uma constante preocupação com seu emprego. Era o último diretor de arte na ativa, e por isso, era considerado um gênio, um marco, praticamente o último dos moicanos da publicidade humana, como era chamada quando ainda existia redatores, mídias e atendimentos.
Trabalhava na última agência de publicidade do país, sobrevivendo de pequenos clientes que não tinham verba para comprar o novo pacote CCS (Client Creative Suit), que era a solução para qualquer tipo comunicação. Por meio dele, o cliente mandava, e o computador obedecia. Fazia anúncios, folders, sites, comerciais de TV, spots de rádio, enfim, os programas faziam tudo o que o operador desejava. A mágica era um dispositivo acoplado ao dedo indicador. Se imaginasse um lindo parque com flores, céu azul e pássaros voando, a cena era recriada em tempo real na tela. Não bastando imaginar, ainda interpretava informações faladas, no caso do operador não conseguir aplicar em sua mente: "- Preciso do céu mais azul. Não, mais verde agora".
Nos momentos que conseguia esquecer a sensação de corda no pescoço, lembrava dos velhos tempos, quando ainda tinha um redator como dupla de criação. Lembrava dos jobs pra ontem e dos clientes malas que ligavam na agência reclamando que o logotipo estava pequeno no anúncio. - Esses programas são uma merda ! - praguejou em sua mente. Não conseguia se conformar que sua profissão estava com os dias contados, praticamente extinta.
O seu trabalho era receber donos de empresas, que vinham à agência depois de uma noite inspirada e uma campanha publicitária pronta, bastando imaginar para o computador produzir. Não gostava do que fazia, mas era o único emprego digno que poderia fazer com a formação de publicitário. Quem já tinha sido cortado do mercado, virava hippie ou voltava para o campo.
Nesse mesmo dia, recebeu uma figura estranha: era um homem alto e forte com uma barba bem espessa e preta. Queria criar um comercial de TV para a sua fábrica de pregos. Para tal, tinha trazido uma série de referências impressas como obras de arte até anúncios de concorrentes. No meio da bagunça, Bola identificou uma antiga pintura - era Mona Lisa. Então deixou os primeiros esboços da imaginação do homem tomarem forma na tela.
- Você não pode utilizar o quadro nesse comercial. A propriedade intelectual é de outra pessoa.
- Como não? Tô pagando!
Depois de muitos retoques, o cliente avisa que vai finalizar, mas o programa não permite salvar, pois o quadro da Mona Lisa tem os direitos reservados. Apesar da clareza de informação, o cliente, como nos velhos tempos da publicidade, fica maluco, e em um acesso de fúria, pega o Bola pelo colarinho e mete um prego no pescoço dele, que agoniza no chão e morre.
Felizmente, o Bola não tinha contrato e nem carteira de trabalho. Era considerado mais um autônomo fantasma na sociedade e por essa razão, nunca aconteceu nada com o homem alto e forte, que apenas mandava uma caixa com 10.000 pregos e 10.000 parafusos para a mãe do Bola, para pagar as contas da casa vendendo para antigos publicitários, que tinham migrado para o campo atrás de novos desafios.
Anos depois da morte, um homem caminhou até a sepultura do Bola. Era o redator e ex dupla de criação dele, que derramando lágrimas, pega um spray e escreve no cimento: "O futuro é o passado" e volta para o campo. Foi a sua última visita ao túmulo. FIM










