blog re'cordis
27Jan/0912

Magrela vs São Paulo

bicicleta-bike

A morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, atropelada por um ônibus na Av. Paulista, foi a gota d'agua para quem tenta andar na contramão do estilo de vida estressante e poluente do paulistano.

Verdade seja dita: até a prefeitura incentiva a bicicleta como meio de transporte, mas é óbvio que a cidade não tem a mínima estrutura para isso, e não precisamos de um acidente desses em pleno cartão postal de São Paulo para voltar as nossas atenções para essa questão.

Usar a bicicleta como meio de transporte significa 1 carro a menos na rua, o que vale para diminuir a poluição e trânsito na cidade, além ser saudável e menos estressante para o biker - OK, todos nós sabemos, mas por que continuamos indo de carro para o trabalho ou faculdade?

A maioria das pessoas se queixam que a cidade não tem ciclovias - o que é verdade. Já a prefeitura responde que faz o possível para melhorar, embora ninguém tenha notado ainda essa melhora (rs). Admito que o próprio relevo de São Paulo complica um pouco, já que a cidade não é um grande plano, mas acredito que logo seremos forçados a deixar os carros na garagem e ressuscitar a magrela. Cidades com mais pessoas que metros quadrados, como Tóquio e Bangladesh já partiram para o inevitável depois que o transporte coletivo lotou e andar de carro ficou impraticável: andar em um meio de transporte que não utilize as ruas - até inventarem algo melhor, a bicicleta.

Tive uma experiência bacana como biker durante 3 anos. Na época, acordava e pedavala até a academia, de lá, ia direto para o colégio e depois voltava para casa, isso que moro em um morro (rs). Lembro que depois um tempo, o corpo acostumou com o exercício e nem suava mais, o que é bem prático para não chegar todo melecado no destino. Além disso, descobri que o frio de São Paulo no inverno corta o rosto, o jeito é proteger usando uma balaclava (estilo assaltante de banco), ou como eu fazia ao estilo febem: dobrava a camisa na cabeça e improvisava uma proteção (rs).

Andar de bicicleta em São Paulo é tão perigoso, que os bikers andam em bando. Lembro que quando fiz 1 ano de cursinho, andava em um grupo de 4 pessoas - o que era bem legal e completamente mais seguro, pois ocupávamos o espaço de um carro juntos. E até que deu bastante certo a nossa ideia, pois íamos todos os dias, religiosamente (até em dia de bar). Bastou uma conversa com alguém da administração do cursinho para eles liberarem um espaço para as nossas bikes no estacionamento dos professores. Isso era importante pois tinha gente no grupo com super bikes - a minha era da humildade e sempre amarrei com cadeado nos postes.

Depois disso, já na faculdade, tentei seguir com a ideia da bicicleta, mas ficou ruim, pois andava sozinho e pegava um caminho completamente engarrafado de motoristas estressados e sem a mínima vontade de dividir o espaço ainda mais com uma bicicleta andando a 20km/h. Para finalizar, um belo dia estava indo à noite para a faculdade quando fui atropelado por 2 motoristas apostando racha. Eles viraram muito rápido na rua que estava atravessando, e acabei batendo perpendicularmente na roda traseira do último carro. Voei pra frente e cai no chão. Lembro da bicicleta rodando bem alta no céu e caindo na minha perna direita. Fechei os olhos, e quando abri, estava no chão sangrando com muita gente em volta. Levantei-me, desentortei o guidão e segui, mas acabei desistindo da bicicleta por uns tempos. O mais engraçado é que não deu 1 mês depois da minha aposentadoria e o metrô finalmente liberou a entrada de bicicletas nos vagões (rs). Hoje pego o metrô para trabalhar, e sempre entro no vagão reservado para as bicicletas, mas nunca vi ninguém usando.

O meu caso foi isolado, mas me fez trocar a magrela por um automóvel. De qualquer maneira, a prefeitura precisa oferecer mais recursos para a bicicleta como meio de transporte. Em termos de infra-estrutura, temos a possibilidade de utilizar o metrô, mas por outro lado, não há ciclovias e faltam bicicletários. Na questão psicológica, temos motoristas estressados e despreparados para dividir as ruas com as bicicletas. Já vi motorista abrir a porta do carro com um chute e quase fui visitar Deus (rs).

O ideal seria viver de forma harmônica no vai e vem de pessoas em São Paulo, mesmo com o trânsito infernal. Bastam os motoboys, que conseguiram o seu espaço de forma agressiva. Com os bikers será a mesma coisa? Precisamos mesmo andar em grupo para não morrer no trânsito?

Para finalizar, uma foto do Bike Tour SP, realizado junto com o aniversário de São Paulo: um pelotão com mais de 5.000 bicicletas :-) - Ainda não acredito que só fiquei sabendo depois que aconteceu. Queria ter participado.

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Comments (12) Trackbacks (2)
  1. Mendão legal seu texto

    na radial leste foi criado uma ciclovia que já percorre metade dela porem nunca vi uma alma viva andando de bike lá!…….. acho que alem dos problemas já citados por vc tem a questão da distância entre as residencias e seus locais de trabalho, o que acaba sendo talvez mais uma desculpa hahahaahahahahhaa

    abraços

  2. heheheheheh
    tambem nao sabia desse ciclovia !!

    zona leste é um pais a parte de sao paulo, né? hahaha

  3. è parte de SP que tá tentando separar e ter um presidente próprio…….. hahahaahahhaha

  4. Muito bom o texto… deveria ser publicado nos grandes jornais de São Paulo!
    incentivar e reeducar o povo paulsitano é fundamental se quiserem mudar o curso do trânsito de SP.

    Vou dizer que sempre que posso vou aos locais de Bike…. mas como foi dito no texto… fica difícil dividir as ruas com motoristas sem educação!
    Falta ainda na cidade locais para pararmos coms egurança as bicicletas. As grandes empresas poderiam também disponibilizar armários e chuverios pro pessoal que vai de bicicleta! Não vejo porque esssa idéia ainda não explodiu… são infinitos os benefícios:

    - Melhoraria o trânsito
    - Melhoraria a saúde da populaçao
    - Melhoraria o desempenho de todos no trabalho
    - Menor stress ao paulistano
    - Ar mais puro
    - Menor poluição sonora
    - Menor número de acidentes fatais
    e assim vai infinitamente!

    Aguardemos os grandões de nossa querida metrópole comprarem a briga e começarem a efetivamente mudar a cara de SP.

    Quanto ao evento…. MEUUUUUUUUUUUUUUUUU QUE PENAAAAAAAAAA! Também queria muito ter ido! Pena que não fiquei sabendo também!
    Pra variar…. acho que faltou divulgação!
    Mas tudo bem… agora estou antenado!

  5. lash, to no aguardo por aquele texto que vc me prometeu
    quero postar aqui no blog !!
    nao esquece hein rs []´s

  6. muito bom o texto, adorei!
    ando de bike a minha vida toda, mas São Paulo é muito limitado para trocar o carro/onibus por uma bike. Não tem segurança nenhuma! o transito de SP e a vida frenética da cidade transforma as pessoas em animais irracionais! desanima pensar em sair de carro ou onibus ou qq coisa, só tem gente mal educada, ignorante. ai sair se torna um saco! e quando percebe vc já está como todo mundo….esgotado!
    Costumava andar no parque do Ibirapuera ou pedalava até o Vila Lobos, mas desencanei…(por falta de tempo e medo de virar parte do asfalto)..agora só ando em Sorocaba que tem ciclovia por quase toda cidade…
    Passei na Av. Paulista outro dia e vi que fizeram uma bela homenagem para a Márcia…é de cortar o coração ver que a cada dia mais pessoas que acreditam nas boas coisas e nas mudanças morrem cedo…foda!
    Se grande parte das pessoas andassem de bike, certeza que a vida deles, a nossa e a do meio ambiente seria melhor….mas isso claro, se São Paulo tivesse um projeto de ciclovias e as pessoas fossem menos egoistas e etc….enquanto isso nós ‘sobrevivemos’ ou pelo menos tentamos….

  7. vou passar em sorocapa para ver as ciclovias :-) boa dica

  8. aprendi a andar de bike aos 13 anos!!!!! Depois nunca mais…acho que nem sei andar mais!

  9. Bom dia pessoal, achei muito interessante os textos aqui publicados.
    Quero aproveitar para divulgar meu trabalho de Projeto Integrado da Faculdade Estácio UniRadial, estou cursando o 1º módulo de Design Gráfico e temos como projeto um grupo de 7 pessoas que estamos abordando o tema BICICLETA: UMA SOLUÇÃO INTELIGENTE! Abordamos o caos em nossa cidade (SP) e mostramos ideias de como combater essa poluição, o trânsito e melhorar a qualidade de vida de tds Paulistanos.
    Logo estaremos disponibilizando o site dessa campanha que está sendo construído com um apoio que conseguimos.
    Gostaria muito poder contar com o apoio de vcs, entrando em nosso site e ajudando a divulgar, pois não queremos que esta campanha fique somente em um trabalho de faculdade.
    Vamos todos para uma soloução:
    BICICLETA: UMA SOLUÇÃO INTELIGENTE!

    Saudações a todos!!!

  10. Legal, Angela,

    quando tiver no ar o site, nos avise !!!
    gostei do tema do tcc :-)

    []´s

  11. REalmente durante a semana não se ve ninguem na ciclovia da Radial, pq infelizmente não dá pra levarmos nossa bike no metro durante a semana,e sendo a ciclovia só em parte da radial deveriamos poder levar nossas bike no metro no trecho q não há ciclovia, mas durante o final de semana, vejo várias bikes na região, pq eu uso e as vezes tenho que desputar um lugarzinho. Só ando de bike, vou pra academia e nos trechos q não dá pra usar, ando a pé, literalmente aposentei o carro.Vamos fazer campanha pelas ciclovias.Valeu.Jacy

  12. Boa! Jacy a ciclovia da Radial já é um bom incentivo, e como também faço parte desta população que mora neste país que é a ZL como disse o Murilo, é melhor ele esperar para vir pedalar por estas bandas, afinal se nós que utilizamos nossas bikes como transporte não podemos ficar esperando a construção de ciclovias para nossa segurança, vamos com educação (re)conquistar um espaço que é nosso. Força no Pedal e vamos em frente!!!


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