blog re'cordis
25Mar/093

Malandragem dá um tempo: Walt Disney no Rio

Dizem que quando Walt Disney veio ao Brasil em 1941, mais especificamente no Rio de Janeiro, conheceu muitos pontos turísticos da cidade. A razão da pesquisa era a produção de 2 filmes inspirados na cultura brasileira, e que serviriam para "unir" os países contra o "eixo", esforço de guerra. Apesar de toda a teoria da conspiração aqui, o que importa da visita do artista no país é sua visita ao Pão-de-açucar:

Depois de dias turistando pela cidade maravilhosa, Walt Disney resolve conhecer o Pão-de-açucar. Para felicidade das crianças, dessa vez ele vai sem a equipe de produção, o que acarreta em uma das situações mais ridículas e caricatas do Brasil sil sil: tentaram vender o Pão-de-açucar para o gringo ! (rss)

Tentem imaginar a oferta! -Para você, que é um gringo do bem, ofereco todas essas montanhas por apenas R$ 99,99 réis (moeda vigente em 1941). Que absurdo !

Desse caso, surgiu um dos principais personagens Disney, o Zé Carioca, que mais tarde iria estrear os filmes Salutos Amigos (Alô Amigos) em 1943 e The Three Caballeros (Você já foi à Bahia?) em 1944.

O personagem Zé Carioca é um papagaio, que vive fugindo dos cobradores, pois deve dinheiro e não consegue pagar (acho que essa situação é comum até hoje, né?).  Ele sempre carrega consigo um guarda-chuva e um chapéu-panamá, que são parte do "malandro clássico" do Rio de Janeiro, como diz a letra de Wilson Batista: "Meu chapéu do lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio" -  Evidentemente, a navalha foi trocada pelo guarda-chuva :-) .

O que acho mais fantástico de tudo isso, foi a capacidade do Walt Disney de em tão pouco tempo, sacar o malandro esteriótipo carioca, e depois personificar de modo que até um ser que mora no Acre (Acre existe?) se identificar com o Zé Carioca.

Podemos lembrar um dos maiores historiadores do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda - sim, pai do Chico (rs) - demorou anos e anos a fio para resultar em o que ele chamou de "cordialidade brasileira", que se liga ao famoso jeitinho brasileiro, coisa que o gringo sacou em 3 dias. Sérgio ainda identificou muitos outros aspectos importantes do brasileiro, mas um que vale a pena sair um pouco do assunto e ser citado, é que por causa da cordialidade brasileira, o país está estagnado nos ambientes político e social, sem chances de mudar. A "mudança", segundo ele, deve vir de dentro do país, em outras palavras, do brasileiro. O país não cresce porque o brasileiro não quer, já dizia um velho amigo.

Poxa, quer dizer que a gente está na merda porque somos malandros? Muitos acreditam que sim.

Na minha opinião, acho que se realmente a gente estivesse determinado a mudar o país, a gente conseguiria. O problema é quem de fato se mexe e faz alguma coisa é 0.1% da população. Se todo político que roubasse e não fosse preso, o povo saísse em peso nas ruas pra colocar ele pessoalmente atrás das grades, a malandragem na política estaria resolvida, e nunca mais teríamos que ver aquelas piadas mais-que-chatas de políticos ladrões.

Próximo post continuo a história sem fim da malandragem no Brasil.

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Comments (3) Trackbacks (1)
  1. Disse tudo!

    O brasileiro perdeu o poder de crítica e reivindicação dos seus direitos!
    Não se fazem mais jovens como os das “diretas já”!

    O povo se vendeu a política do pão e vinho e pior perdeu interesse pela coletividade! O particular torna-se soberano sobre a coletividade e muitas vezes é justificativa da corrupção!

    Acontece mais ou menos assim:
    Para a grande maioria se tudo estiver mais ou menos ajeitado nada precisa ser feito.
    “Pra que irei me confrontar com a polícia, me manifestar? Eu heim! Deixa que alguém vai!,. No final nem está tão ruim assim!”.
    É mais ou menos assim que a galera pensa!

    Mesmo nossos pais acabam nos podando…: ” Filho, de maneira alguma você vai se juntar aquele bando de baderneiros… você ainda vai é sair machucado”

    Numa sociedade onde até os meios de comunicação são vendidos, falta semear o senso crítico e fazer valer os direitos garantidos por nossa constituição!

    QUanto a mim:
    … eu faço o que posso, tento mudar… a cada dia… pouco a pouco. Alerto as pessoas, provoco a revolução. Faço valer por meus meios a minha cidadania!

    Dizem que uma gota d´agua não faz tempestade… eu encaro de outra forma! Toda tempestade começa com uma gota d´agua!

    Sem mais!

  2. Prezado Sr. Murilo Campos,
    O ócio está fazendo muito bem aos seus textos, parabéns.
    Logo mais teremos uma vaga para você em nosso jornal.
    Sem mais,
    Marielly Campos.

    heheheh o texto está mto bommmmmmm
    E, certamente, espalhar nossa indignação já é o primeiro passo para demonstrar q não aceitamos essa bandalheira toda!!!
    P.S.: Adorei a contextualização com o Zé Carioca!
    Bjs, Mary.

  3. Mudança, todos a desejamos. Mas o preço é que ás vezes não queremos pagar. O motivo é mais implicito do que o senso comum pode registrar. O ser humano é egoista por natureza, e o que vemos é apenas uma acomodação mórbida de uma geração que não sofreu como na ditadura, por exemplo. Até tem quem diga, e penso que com razão, que o períod em que mais crescemos é quando estamos em crise, e enquanto a situação for acomodável, não iremos movernos a uma mudança radical.
    O ser humano precisa mudar sua natureza espiritual (isso fará alguns rirem,pois não creem que uma coisa tenha a ver com a outra), porque não se conhece nenhum projeto humano que mantenha-se no prumo porque os próximos que vêm já não tem a mesma “pegada” e o motivo é porque a natureza intima do homem é centralizadora e para o bem próprio.
    Neste quesito, só Deus é quem pode inteferir, a cultura informa a escola forma, o mundo deforma, mas só Ele transforma.
    Para isso precisamos ir ter com Ele, aí entra a Bíblia para ouvirmos Sua Voz, oração, para falarmos a Ele, e testemunho para dizer o que Ele então fará na transformação do nosso carater, (artigo de luxo nos presente século), e daí teremos coragem de, sem violência, mas pelos meios legais, conquistar as mudanças que urgem no meio de nós.


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