blog re'cordis
2Feb/096

O que os novos piratas têm a ver com o Creative Commons?

pirates-dilemma
O ícone do pirata foi recriado: lâmpada (ideia) no lugar da caveira, e setas representando a troca de conteúdo. Até o lendário FAKE está presente (rs)

A imagem acima é parte da capa do livro The Pirate's Dilemma, que analisa a questão da pirataria na internet e sugere uma saída: empresas que perdem dinheiro com isso, como grandes gravadoras, deveriam assumir uma postura de concorrência, propondo uma oferta mais interessante para o consumidor - um CD com um encarte realmente bacana, por exemplo, ao invés de sair por aí processando quem promove a troca de MP3.

Não é preciso ser um gênio para pensar numa ideia dessas, ainda mais quando se acompanha a trajetória das grandes gravadoras na batalha contra a MP3. É sábido que processar metade da internet só piorou a situação, agravando ainda mais o prejuízo de dinheiro e imagem da empresa perante o consumidor.

Essa geração da internet quer ver soluções criativas, e não um bando de executivos com medo de perder dinheiro se protegendo por trás de leis de 200 anos atrás. A internet se renova em um intervalo de tempo alucinantemente pequeno. É óbvio que as leis não são adequadas para a internet, e tentar adequá-las é ainda pior.

Precisamos na verdade é de uma nova diretriz :-) . Voto pelo projeto Creative Commons - saiba porquê:

Resumidamente, o CC (Creative Commons) é um sistema de licenças que sinaliza e promove a geração de conteúdo intelectual, que teve uma explosão com a internet.

Lembra do famoso © ? É o ícone que representa o copyright, conhecido também como licença autoral ou "todos os direitos reservados". Apesar da simplicidade, poucos respeitam. Se você fizer uma paródia em cima de um jingle da TV, por exemplo, pode ser processado (rs). Claro que isso não acontece na prática, mas vira e mexe acontece alguns processos em cima de barulhos maiores, como a figura que disponibilizou filmagens raras da Globo no Youtube.

Entre "todos os direitos reservados" e "nenhum direito reservado" (domínio público) existia um grande buraco, e foi aí que o CC entrou em cena. O projeto enxergou essa falha que dificultava a recriação e reprodução criativa de conteúdo, então sugeriu o "alguns direitos reservados".

Utilizar o CC é concordar que a maior riqueza do homem é seu conteúdo intelectual, e este, pode ser multiplicado sem necessariamente estar envolvido com dinheiro. Esse é o perfil da nossa geração, que busca prazer no trabalho em 1° lugar e não apenas retorno financeiro. É a geração que gera conteúdo, que está reinventando o capitalismo e que se interessa por assuntos ecológicos.

O projeto Creative Commons não vai salvar as empresas da pirataria da internet, mas usar seu exemplo como base para uma nova diretriz, é um começo. É compreender que o mundo não está mais disposto a comprar tudo o que lhe é oferecido da mesma forma que era feito há 30 anos. O ponto inicial é identificar e tentar falar a mesma língua dessa geração.

Alguns exemplos (retirados do LINK, via Estadão):

. Cansados de lutar contra vídeos postos por fãs na internet, o grupo Monty Phyton criou um canal gratuito em seu site. Com isso, as vendas dos DVDs cresceram 23.000%.

. Em 2003, Madonna espalhou pela internet, faixas fakes de seu disco American Life. Quem abria ouvia a cantora falar "Que merda você está fazendo?". Adivinha o resultado? O disco se manteve disponível para download na internet e a frase virou paródia contra ela.

Sei que é complicada e polêmica a questão da pirataria na internet. Eu mesmo não gostaria de ver alguma ilustração minha sendo vendida silkada em camisetas no camelô mais próximo (conheço casos assim), mas processar a galera sob as leis arcaicas definitivamente não é a solução.

Existe uma tese que diz que o caos, apesar de ser caos, tem a sua organização. É como um quarto bagunçado onde você acha suas coisas :-) . Partindo desse pressuposto, a internet é um caos organizado por leis próprias, e leis de fora não são bem-vindas. Seria como sugerir ao dono do quarto bagunçado que arrumasse tudo. Imagina a cara feia dele (rs).

Não defendo a anarquia digital (rs), e nem concordo que a internet seja terra de ninguém, mas acredito que para tentar organizar esse caos, a ideia tem que partir da internet, um grande bom censo coletivo que não tem presidente nem é regional.

Insistir nessa fórmula, é repetir o erro da criação do Estado de Israel. Não deu e, provavelmente, nunca irá dar certo.
A internet contempla o conteúdo intelectual. Tem gente que ganha dinheiro com isso e tem gente que perde. Escolha teu lado.

Como utilizar o Creative Commons:

creative-commons-Attribution

Attribution / Atribuição - você precisa dar o CRÉDITO ao autor da obra em caso de reprodução.
O BY: é a versão antiga, e o do homem é o novo ícone para atribuição.

creative-commons-sharealike

Share Alike / Compartilhe igual - se você usar alguma obra com esse ícone, tem que disponibilizar o trabalho sob uma licença igual a a ela. Desse modo, não há como recriar alguma imagem e depois fechar com copyright, entre outras.

creative-commons-noncommercial

Noncommercial / Não comercial - obra protegida para fins COMERCIAIS.

creative-commons-noderivative

No derivative works / Sem trabalhos derivados - obra não pode ser alterada, mas pode ser copiada, reproduzida, etc.


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Comments (6) Trackbacks (0)
  1. Murilo muito bacana este post!……….. vc comentou um tema super na moda aqui!

    showwwwwwwwww

    abraços

  2. Dúvido que consigam conter a pirataria e o roubo de direitos autorais! A tentativa é válida…. mas não ponho muita fé, principalmente no nosso Brasil… e o motivo é simples:
    Tudo começa pelo nosso querido país… que dá o maior exemplo de desrespeito as patentes mundiais…. e sabe do que estou falando aquele que acompanha a crescente quebra de patentes internacionais de remédios contra a AIDS…
    Não entro no mérito se isso é uma atitude honrrosa ou não, humana ou não…. mas no final nosso próprio país dita que devemos desrespeitar as patentes!
    Um tanto contraditório não acham:
    O governo luta contra a pirataria (pessoas que vendem sem pagar impostos)… um mercado informal que cresce 10% ao ano, e de contrapartida… sustenta que a quebra de patentes (não pagar pelos direitos de uso de certos medicamentos) é válida para beneficiar uma minoria de pessoas doentes… um número muito menos expressivo comparado com a frota de pessoas desempregadas que se aventuram no mercado “camelô”.

    Análise fria e crua, eu sei…. mas é como dizem os pensadores:
    O necessário é aquilo que serve ao interesse próprio!
    Certo presidente molusco?

  3. Uma vez me contaram essa história da patente. Foi com o Serra, né?
    Eu achei o máximo ehhehehe, mas concordo que quem manda no país não dá o exemplo, então não dá para esperar muito também.

    []´s

  4. A primeira quebra de patentes começou com o Serra…e perpetua-se até a atual gestão de Lula!

  5. eae rapaa bom texto em e tbm curti a imagem…foi tu q fez?
    hj axo q vo posta uma parada sobre as piores sinopses de filmes umas 10 hrs ta la ja hguahsuhausa

    abraço

  6. Olá a todos,

    segue mais um post a respeito do descaso com a educação aqui no Brasil. Veja o que acha e comente!!!

    e desculpe minha indignação!!!

    http://agrj.wordpress.com/2009/02/10/o-contra-senso-da-educacao-em-sao-paulo/

    []s

    Dinho


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