Adoniran não é só Saudosa Maloca e Trem das Onze

Se o Adoniran estivesse vivo, hoje completaria 100 anos de vida. Morreu em 1983, no mesmo ano em que eu nasci, por parada cardíaca, e morreu pobre como a pobreza que denunciava em seus sambas.

Considerado o maior compositor de sambas de São Paulo, escreveu composições que são famosas até hoje, como Saudosa Maloca e Trem das Onze, mas Adoniran era mais que isso. Por um motivo até hoje desconhecido, as pessoas preferem lembrar dos sambas mais tristes, mas eu prefiro lembrar dos sambas pra frente, em tom maior, com uma irreverência quase carioca.

Animamundi 2010 – Destaques

Fiz uma visita pela primeira vez ao Animamundi, um festival que acontece todos os anos e contempla animações que provavelmente a gente nunca veria. Peguei algumas sessões e vi desde animações brasileiras, passando por francesas e até dinamarquesas !

Pelo o que entendi, são animações mais alternativas do que costumamos ver na TV, mas realmente vale a pena, mesmo para leigos como eu. Não gostei de tudo o que assisti, mas algumas animações me fizeram sair empolgado do festival querendo criar as minhas próprias.

Abaixo algumas das animações que mais gostei de assistir:

Prestem bastante atenção no começo do próximo vídeo, é surpreendente.

Os próximos vídeos são partes do projeto audiovisual Here Come the Waves: The Hazards of Love Visualized, que cria uma série de animações para acompanhar as músicas da banda The Decemberists. Tive o privilégio de assistir as partes produzidas pelo brasileiro Guilherme Marcondes.

Gostou? Então incentive quem criou: site do Guilherme Marcondes

A animação completa de Here Come the Waves: The Hazards of Love Visualized pode ser comprada por um preço camarada no Itunes, ou compre o DVD pela internet como eu fiz.

Imagem do dia: favelas no Rio de Janeiro

Não é novidade que o Brasil é um destino turístico exótico, seja pelo carnaval, seja pela natureza, mas principalmente pelo contraste social que faz com que o mais rico divida muro com a casa da pessoa mais pobre. Não é a primeira vez que vejo relatos de turistas que passaram por aqui e de tudo o que poderiam compartilhar, escolhem o nosso pior lado.

No total, são 29 fotos incríveis em preto e branco. Vale a pena conferir por esse link.

Via @suzanavilhena

A polêmica: emblema da Copa de 2014

Foi apresentado hoje o emblema oficial para a próxima Copa do Mundo, que será realizada no Brasil em 2014. Em uma cerimônia estranha pautada com formalidade inglesa, e onde um sul africano fazendo embaixadinhas ao ritmo de uma batucada foi de longe a coisa mais brasileira. Foi transmitida pela Globo, por atores e com padrões e estética da emissora, terminei questionando: afinal foi uma celebração da Globo ou do nosso futebol? Será que vamos ter de engolir novamente exclusividade da emissora na próxima Copa?

A Copa da África do Sul não foi uma das melhores em questão de jogos, mas ela brilhou pelo fato de nós podermos escolher como assistir. Perceberam que não há exclusividade de transmissão e entrevistas da Globo nessa copa? Nós, torcedores saímos ganhando com isso, pois tivemos a chance de ouvir outras perguntas que não estão no script editorial da Globo, ganhamos por poder receber informações variadas, com mais de um ponto de vista. Por esse ponto, a copa foi está sendo brilhante.

Eis que surge essa merda de emblema e tudo o que vinha elogiando da Copa foi por água abaixo. A festa foi organizada por aquela emissora, começam a aparecer as primeiras panelas, tudo está indo para a direção oposta. Com tanta  gente talentosa, um concurso para a criação do logo ia ser perfeito, mas pelo contrário, ninguém sabia até hoje quem fez, ninguém sabe direito como foi escolhida, nada. Apenas jogaram essa imagem na nossa cara.

Por esse caminho obscuro, o logo oficial da Copa está sendo criticada em todas as redes sociais, dos sites dos jornais até o Twitter. O índice de rejeição beira 80% segundo a pesquisa do Estado. Nós não temos voz?

Tirando a parte de teoria da conspiração, o logo é ruim, pra nao dizer que é uma bosta, mas tem uma qualidade: o design foge do estilo suíço de design, que norteia a maioria dos trabalhos brasileiros. Em outras palavras, nosso design ainda não tem identidade própria o suficiente para alguém olhar um poster e dizer “isso é brasileiro”.

Não vou ficar aqui metendo o pau na qualidade do logo, pois além de ser impossível agradar a todos, já está rolando uma discussão grande sobre isso. A única coisa que realmente me deixou decepcionado foi o fato de todo o processo ser um grande segredo, que não levou em conta a opinião popular. A autoria da criação é de uma agência de publicidade chama África, informação que só foi anunciada hoje. Qual a razão de tanto segredo?

Gosto de acreditar que toda essa discussão e a opinião negativa sobre o logo tenha algum poder. Impeachment para esse emblema já !

Aproveite você mesmo

(foto original de photo61guy)

Antes de começar o post de verdade, deixa eu criar o momento blogueiro-dando-desculpas-aos-seus-leitores. Pois é, faz quase 2 meses que não atualizo o blog. Aconteceram algumas coisas nesse meio tempo como 2 anos de vida do re’cordis, abri uma empresa de comunicação com mais dois amigos, e acho que uma leve depressão. Tudo isso me fez repensar algumas decisões que tinha tomado, mas acho que me encontrei.

Um tema que gostaria de ter falado faz tempo, estava lá, em algum rascunho antigo guardado no fundo do armário. Na verdade nunca consegui transformar isso em post. Talvez por ser muito íntimo, ou por ser difícil de escrever, mas depois que tentei “mais ou menos” explicar para uma amiga – e acho que deu certo – quero compartilhar com vocês. Trata-se da minha atual filosofia de vida.

Em um certo momento da minha vida, concluí que muitas coisas que gostaria de ter feito, eu não fiz. São coisas que acredito serem importantes, e isso cria uma lacuna, um vazio. Nunca viajei para fora do país, nunca me apaixonei à primeira vista, nunca virei a noite e fui direto para faculdade/trabalho. Minha lista “a fazer” é grande, mas acho que deu para entender, né?

Acho que todos conhecem aquela frase “Aproveite hoje como se fosse o último dia da sua vida”. Ok, é um pouco exagerada, não levemos ao pé da letra, mas a essência da frase é bacana: intensidade. Minha filosofia de vida atual é ser mais intenso.

Imaginem-se crianças vendo um pote em cima do armário. Está tão alto, e você é tão pequeno que para chegar nele precisa empilhar cadeira em cima de mesa e fazer literalmente uma escalada. Mas a sua vontade de ver o que está dentro é grande, e você não mede as consequências, afinal, você é criança, ingênua, e tem curiosidade. No final das contas, a criança descobre o interior do pote, ou vai cair e quebrar a perna, mas por mais que tenha feijão velho lá dentro, hoje eu acredito que vale a pena subir.

O que quero dizer, é que amadurecemos e ficamos sem graça, velhos. Não é síndrome de Peter Pan ou algo do gênero, mas realmente andamos com 2 pés atrás em tudo. Se você tivesse a maturidade que tem hoje no corpo da criança do pote, eu diria que provavelmente não iria subir para ver o que tem lá dentro. Ia pensar em um monte de coisas e avaliar os riscos. Ia calcular que poderia quebrar a perna, que  a cadeira poderia tombar, que iria atrapalhar no emprego com o braço quebrado, que poderia não valer a pena.

Avaliar se poderia valer a pena é a maior besteira que já inventamos, pois só temos consciência disso depois de feito. E digo mais: grandes recompensas são conquistadas com grandes ações, e certamente com altos riscos. Você não vai ouvir “eu te amo” fazendo um cafuné na sua namorada. A sua recompensa pelo cafuné, vai ser um cafuné, ou algo assim. Tudo é  uma troca, e a intensidade das suas ações resultam na intensidade das reações. Acredito nisso.

Acredito que devemos aproveitar o momento. Aproveitar enquanto é jovem, aproveitar enquanto é velho, aproveitar enquanto pode. Ontem eu pisquei os olhos, e quando abri estava 5 anos mais velho. O tempo tem disso, e sei que muitas coisas que gostaria de fazer, só conseguirei fazer agora, enquanto não estou preso, sem raízes profundas. Viajar sem dinheiro para voltar, pode soar loucura, mas quero sentir o gosto disso, e não vou poder fazer em alguns anos.

A ideia não é lutar contra o tempo, afinal, temos suficiente para fazer tudo, ou quase tudo. Deixemos de ser medíocres – não tenha medo de abrir sua tão desejada empresa, mesmo que os fatores apontem para o fracasso, se tiver vontade de falar eu te amo no segundo encontro, fale, não guarde com você. Nem tudo dá certo, mas é preferível quebrar a perna do que frustrar o resto da vida tentando imaginar o que tinha naquele pote.