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Um pouco de arte: grafite

osgemeos01

Graffiti é um tipo de inscrição feita em paredes, com os primeiros relatos ainda no Império Romano. De origem italiana, a palavra virou grafite no Brasil, e foi no final dos anos 70 que começou a incorporar-se na cultura urbana do país, junto com o fortalecimento de movimentos sociais como o Hip-Hop.

Na realidade, resolvi escrever sobre o grafite pois coincidentemente com o meu interesse pelo assunto, cada vez mais valoriza-se este tipo de arte – e vejo com bons olhos. Só para ter uma idéia, a prefeitura de São Paulo pediu recentemente aos grafiteiros que listassem obras que merecem ser preservadas, e além disso, vai restaurar alguns grafites que por ventura estão gastos ou foram apagados.

O primeiro grafite que me surpreendeu foi em uma caixa de telefone na Rua Augusta, que foi totalmente envelopada pelo desenho de um personagem. Aliás, essa é uma das características que acho mais bacana do grafite – tornar qualquer forma urbana em espaço para a arte, que vai muito além de paredes. Essas formas interagem com o desenho, como a obra dos osgemeos que emoldura este post: são 5 personagens sendo enquadrados pela polícia embaixo do viaduto.

Mas o mais importante, e que determina o grafite como arte, é que possui uma mensagem. As obras comunicam algum fato, alguma revolta, alguma opinião. O trabalho dos osgemeos, por exemplo, na minha opinião possui um perfil mais narrativo, e busca retratar a cidade e seus personagens. Já os desenhos do italiano blu são críticas à sociedade em geral, como o desenho abaixo à esquerda, que remonta a idéia do pinóquio mentiroso com nariz grande em um prédio do governo.

blue osgemeos

Outro aspecto do grafite é que está presente na paisagem urbana. Você não precisa visitar exposições ou museus para ver as obras. Mais que isso, os desenhos retratam momentos da sociedade. Não é algo pago, comercial. É arte legítima que faz as pessoas pararem e reflitirem sobre o tema proposto. Bom, não levando em conta aqueles grafites contratados nos portões das escolas, por exemplo rs :-).

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A imagem acima é obra do onesto, um dos 72 pseudônimos do artista multimídia Alex Hornest, que apesar do nome gringo é brazuca. O trabalho do cara é tão bom que lançaram agora um livro dedicado aos seus grafites. Para quem ficou curioso da razão de tantos pseudônimos, segundo o artista, é para não ficar preso em um mesmo estilo.

Pelo que entendi na minha breve pesquisa, os brasileiros são considerados referência no grafite, inclusive com trabalhos no exterior, como é o caso do gigante com o pipi de fora (fig. 3), assinado pelos osgemeos na fachada do Tate Modern em Londres, o maior museu de arte contemporânea do mundo e um dos mais importantes da europa.

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Este post é apenas um pouco da minha visão sobre o grafite. Como qualquer arte, a interpretação é subjetiva, então recomendo quem puder conferir, que acesse os sites dos artistas que vale a pena: osgemeos, blu, onesto.

Comments (4 comments)

Vou dizer que o grafite não me intriga muito….
Por fazer parte da paisagem urbana muitas vezes me parece mais um elemento da poluição visual que inunda os grandes centros urbanos.

Em um ano onde até lei fizeram para diminuir o tamanho dos outdoors acho meio incongruente ficar pintando as paredes públicas.
Na medida certa e no espaço certo com certeza tornam-se obras de arte intrigantes, mas como disse deve have comedimento. Nada em excesso e tudo no seu devido lugar.

Mas tirando esse meu desgosto pessoal… se analisarmo a arte por si só com certeza algumas considerações mercem ser feitas…:

Primeiro acho uma pena que existam pessoas que confundam os grafiteiros com os ” pichadores” . Acho que a proposta dos dois são completamente conflitantes… Os primeiros usam a tinta como meio de expressão e os segundos usam o spray para puro vandalismo.
De qualquer forma os grafiteiros fazem parte da imensa gama de tribos que habitam as grandes cidades.
Outa coisa a se pensar é que o grafite consiste numa arte “não duradoura”. Já não é a primeira vez que vejo ações das entidades governamentais no sentido de dar espaço a eles… E as últimas “grafitadas” que vi encontram-se desbotadas, cobertas pela fuligem preta da poluição ou no mínimo com algum dizer do tipo ” ZL Nóis na Fita” pichado por cima! Se a intenção da prefeitura é abrir espaço… muito bom… mas tomara que tenham conciência que a arte irá necessitar de manutenção para não se tornar mais um elemento emporcalhando nossa cidade.

A propósito… deêm um googlada na internet procurando pelo assunto “GRAFITE 3D”.. é espantoso o que alguns artistas como Kurt Wenner, Eduardo Relero e Tracy Lee Stum fazem com suas latas de tintas… Não da para passar desbercebido e com certeza merecem uma menção quando o assunto é o grafite!

Uma coisa é certa…. eu ia adorar entrar no túnel da 23 de maio olhando para o alto e poder ver pintado pelas mãos dos grafiteiros o teto da capela cistina por exemplo!

LASHMAN ROUNES / August 1st, 2008, 7:52 pm

Gostei do post e quero fazer observações sobre o comentário acima. Atualmente, os pichadores são muito diferenciados dos grafiteiros e muralistas. Estes últimos são considerados artistas, como “osgemeos”, Nunca, Binho, Kobra, etc. Fazem murais que são verdadeiras obras de arte. Pichadores são criminosos, vândalos que depredam o espaço público.

Depois da Lei Cidade Limpa, a cidade ficou mais harmônica, mais agradável sem toda aquela poluição visual. Mas querer a cidade limpa não significa necessariamente querê-la cinza. Os grafites bem elaborados (e, concordo, sem exageros) enfeitam a cidade, dão um certo charme aos bairros. Um bom exemplo é a Vila Madalena (aquela rua abaixo da rua do Ó do Borogodó é uma gracinha).

Sou a favor da arte livre, democrática, para toda a população. Sempre com bom senso e respeito ao espaço público, mas sempre presente. A cidade precisa de elementos que a humanizem. Não pode ser sempre cinza.

Parabéns pelo post!

Suzana Yoko / February 26th, 2009, 9:27 pm

Sinceramente, essa separação grafite X pixação, ainda mais adjetivando hebecamarguicamente alguns grafites de “gracinha” e reduzindo o pixo ao puro vandalismo e depredação, é extremamente simplista e mostra que a aceitação atual do grafite (seja pela população em geral, seja pelas galerias e colecionadores) passa longe de uma compreenssão real do que é arte de rua. O primeiro trabalho dos Gêmeos que aparece nesse post ilustra bem a permeabilidade desses conceitos (os personagens não estão meramente tomando um enquadro, estão tomando um enquadro por estarem pixando). Pintar um túnel com o teto da capela Cistina?! Pelo amor de deus, bicho! Chamem os estudantes de belas artes pra uma pintura dessas, e de preferência poupem o túnel! A arte de rua vai além da intenção de ser uma gracinha e não se limita a essa dicotomia limitante que legitima um escritor urbano em detrimento da total marginalização do outro (e legitima aquele, antes de mais nada, levando em consideração seu potencial mercadológico). Evitem conclusões precipitadas. Viva o pixo! Viva o grafite! Viva a arte de rua!

Comum / May 27th, 2009, 8:19 am

Enquanto pesquisava pra escrever esse post, li uma entrevista com osgemeos falando sobre a diferença entre grafite e pixo. A resposta era “nenhuma. Não existe diferença”. E se recusaram a falar mais porque já encheram o saco com essa história e ninguém entendia.

Pra ser bem sincero, eu não entendi também (rs), mas de qualquer forma, deixei esse post de forma subjetiva, sem afirmar nada ou ninguém !

Apesar de não ser do grafite, acho que hoje tem muito artista grafitando como se fosse somente mais uma forma de divulgar sua arte, mas acho que nao é legal, pois o grafite tem todo um lado social, que é inquestionável.

[]´s

Murilo Campos / May 27th, 2009, 3:22 pm

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